Luis Pimentel: O Rio de A a Z - 6

A Igreja de Nossa Senhora da Penha de França é um xodó na paisagem e no coração dos cariocas

Por O Dia

Rio - Retomando a série de verbetes afetivos sobre o Rio de Janeiro, hoje com a letra I:

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Ilha de Paquetá — “Eu te levava prum passeio em Paquetá/Onde nasceu num piquenique o nosso rancho, o Ameno Resedá”. Os versos de Aldir Blanc, um amante histórico da tradicional ilha da Baía de Guanabara que é um bairro e um bálsamo, remetem a um tempo em que Paquetá era quase o paraíso — hoje, já não é exatamente assim, embora continue linda e um passeio imperdível. Além da beleza que começa com a travessia na barca, pode­se esbarrar com visitantes contumazes ou moradores ilustres, como o artista plástico Mello Menezes, a cantora e compositora Cristina Buarque, o jornalista e músico Jorge Roberto Martins, o músico Pedro Amorim, a produtora Ize Sanz, o jornalista Ricky Goodwin e tantos outros paquetaenses juramentados.

Igreja da Candelária — Alguns fatos marcam as paredes e o perfil da famosa Candelária, entre eles missas que causaram enfrentamentos entre jovens cariocas e a repressão dos anos de chumbo, além da chacina de menores, em 1993, que escandalizaram o mundo. Linda e cheia de histórias para contar, a igreja foi reformada em 1700 e também em 1800. Já abrigou altares do interior esculpidos por Mestre Valentim (depois substituídos), ofereceu missa aos membros da Corte portuguesa e cerimônias de casamento a muitas dondocas da sociedade carioca. Um lado olha para a Baía de Guanabara e outro, para o centro nervoso da cidade, as avenidas Presidente Vargas e Rio Branco. É a cara e alma do Rio.

Igreja da Penha — Guio de Moraes escreveu e Luiz Gonzaga cantou: “Demonstrando a minha fé vou subir a Penha a pé, pra fazer minha oração...” Em maio de 2013, criminosos invadiram a Igreja da Penha, na Zona Norte do Rio, e levaram dinheiro do cofre, artigos sagrados e objetos pessoais de um padre. Diante da primeira página do jornal pendurada na banca, um comentário, entre muitos, se sobressaiu:

— Como tiveram coragem?
É que, além de ser um dos mais belos cartões-postais da cidade, a Igreja de Nossa Senhora da Penha de França é um xodó na paisagem e no coração dos cariocas — mesmo daqueles que jamais se animaram a encarar os 382 degraus de sua escadaria principal, via de adoração, penitência ou simplesmente de admiração.

Ipanema — Bairro nobre, popular e boêmio, Ipanema é a cara de um certo Rio de Janeiro das décadas de 1970 e 80: intelectual, sofisticado, bem­humorado e charmoso. Fazendo divisa com Copacabana, Leblon e a Lagoa, está entre aqueles territórios (o Leblon também é assim) que quem está fora tem dificuldade para entrar e quem está dentro não quer sair.

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O produtor cultural e compositor Lefê Almeida era a música e a simpatia cariocas em cada músculo, em cada emoção. O Rio ficou menor, de corpo e alma.

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