Livro ‘A Segunda Pátria’, de Miguel Sanches Neto, explora alteração histórica

Uma realidade alternativa e nazista em pleno Sul do Brasil

Por O Dia

O autor e seu livro%3A opiniões tidas como inocentes podem ser perigosasDivulgação

Rio - O flerte que Getúlio Vargas manteve com a Alemanha nazista é bem conhecido — apenas quando foi, de fato, obrigado a escolher, o presidente optou por se juntar às potências aliadas na Segunda Guerra Mundial. Muito mais pelo contexto político americano no qual estava envolvido do que necessariamente por opção própria. Mas o que aconteceria se o Brasil, de fato, tivesse se alinhado ao Eixo? Foi tentando imaginar uma resposta para esse questionamento que Miguel Sanches Neto escreveu ‘A Segunda Pátria’, livro que chega ao mercado agora via Editora Intrínseca (320 págs., R$ 34,90). 

Na obra, somos apresentados a uma realidade alternativa. Nela, os estados do Sul do Brasil abrem espaço para a presença do partido nazista.

“A editora me procurou para saber se eu aceitaria escrever um romance que se passasse no período da Segunda Guerra Mundial, tendo como mote ‘e se Getúlio Vargas tivesse apoiado Hitler?’. A partir daí, comecei a buscar em minha memória e em minha imaginação possibilidades de enredo para uma narrativa. Vendo que eu tinha muito material para ficcionalizar, aceitei a proposta.”, explica Sanches.

A trama se desenvolve sobre duas personagens principais. O engenheiro Adolpho Ventura assiste à ascensão do nazismo ao mesmo tempo em que tem sua liberdade cerceada apenas por ser negro e pai de uma criança mestiça. Enquanto isso, Hertha, uma jovem e bela descendente de alemães, enfrenta problemas quando sua liberdade sexual a coloca na cama com nazistas.

Sanches se dedicou ao livro por três anos. Segundo ele, a pesquisa foi difícil porque havia uma quantidade muito grande de material sobre o nazismo. O escritor acredita que sua obra pode ajudar a esclarecer ainda a mais o perigo que manifestações neonazistas, que ainda ocorrem hoje em dia, podem representar. “O conhecimento deste impulso nazista nos permite ao menos ver quão perigosas são certas opiniões a princípio tidas como inocentes”, finaliza.

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