Festival do Rio: Cinéfilos assistirão a filmes nacionais e de mais de 60 países

Evento acontece até o dia 14 de outubro. Longas estão divididos em 19 mostras

Por O Dia

Rio - Foi dada a largada. A partir de hoje, as correntes cinéfilas ganham força e navegam pelos afluentes do Festival do Rio. Mas a intenção é que os 250 filmes da programação desemboquem em mares capazes de levar os espectadores muito além das 19 salas cariocas do circuito. “Ficamos ligados no que está acontecendo no cinema do mundo inteiro”, garante a diretora do evento, Ilda Santiago, lembrando que, mesmo com menos títulos em relação a 2014, será possível conhecer histórias nacionais e de mais de 60 países, até o dia 14.

Karine Teles volta à programação pelo terceiro ano consecutivo em ‘Aspirantes’Maíra Coelho / Agência O Dia

“Não podemos ignorar o momento que o Brasil está vivendo. O que procuramos fazer é sempre ajustar a programação ao público, em quantidade e estilo”, explica Ilda. Por outro lado, a 17ª edição do festival ganha mais portos para desembarque. “Estamos resgatando espaços que sempre foram ícones e de muito valor simbólico para a cidade, como a Cinemateca do MAM e o Odeon”, comemora a diretora.

Mas, como não é possível atravessar o mesmo rio duas vezes, novas águas vão rolar em 2015. Transferidas do Odeon para o Cinépolis Lagoon desde o ano passado, as sessões de gala continuam às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Já o remanescente da Cinelândia abriga as sessões populares da Première Brasil e alguns Cine Encontros, com júri, atores e cineastas. “O negócio é manter a chama da curiosidade acesa”, ressalta Ilda.

E como não ficar curioso diante de tantas histórias, dentro e fora dos telões? A atriz Karine Teles é uma das que guardam memórias afetivas do evento. “Foi no Odeon que estreei ‘Madame Satã’ (2002), meu primeiro filme no festival. Além de ‘Riscado’, em uma sessão emocionante (2010)”, lembra-se ela, que volta à programação pelo terceiro ano consecutivo, com ‘Aspirantes’. Parte da Première Brasil, o drama fala sobre o desejo de Júnior, jovem que sonha ser jogador de futebol em um grande time.

E não há envolvido com a sétima arte no país que não tenha uma história em que o cenário tenha sido o Festival do Rio. Virginia Cavendish o acompanha desde a sua criação. Mas, este ano, a ansiedade não é apenas como cinéfila. Pela primeira vez, ela apresenta um longa por lá, ou melhor, dois: ‘Califórnia’, de Marina Person; e ‘Através da Sombra’, de Walter Lima Jr. “Foram cinco anos da produção até aqui. É um filho, né”, diz ela, referindo-se ao suspense do niteroiense, que produziu e protagoniza.

Virginia Cavendish atua em ‘Califórnia’ e ‘Através da Sombra’%2C do qual é também produtoraMaíra Coelho / Agência O Dia

Aliás, Walter é a personalidade FIPRESCI (International Federation of Film Critics) Latino-Americana homenageada de 2015. Por isso, ele terá ‘Menino de Engenho’, seu primeiro trabalho, novamente no telão. Além da estreia de seu último (‘Através da Sombra’). “Quando pensei em fazer o projeto, falei com o Walter que faltava na prateleira do cinema brasileiro gêneros como o suspense”, destaca a atriz, referindo-se à trama em que interpreta uma mulher que toma conta de duas crianças em uma fazenda, até que percebe que elas estão sob influências malignas.

Enquanto produtores como Virginia investem em novos gêneros nacionais, a palavra de ordem do Festival do Rio sempre foi a diversidade. Dividido em 19 mostras há espaço para interessados em diferentes temas e estilos: infantojuvenil, documentários, dramas, romances, comédias... O problema é não se perder diante de tantas opções da programação (veja em www.festivaldorio.com.br). “É um sofrimento todo ano, porque não dá para ver todos os filmes”, define a atriz.

OS DESTAQUES DA 17ª EDIÇÃO

CINE ENCONTRO
Mundo Cão (de Marcos Jorge. Brasil, 2015). O filme, parte da Première Brasil, é sobre um mal-entendido entre um laçador de cães do Departamento de Controle de Zoonoses com o dono de um animal. Terá exibição seguida de debate com o diretor, produção e elenco (Lázaro Ramos, Babu Santana e Adriana Esteves), domingo, no Odeon, às 17h30.

CINEMA NOIR MEXICANO
A Deusa Ajoelhada (Roberto Galvatón, 1947). Homem presenteia sua mulher com a estátua esculpida a partir do corpo de sua amante. Hoje, às 19h, na Cinemateca do MAM.

EXPECTATIVA 2015
10 Anos, Divorciada (de Khadija Al-Salami. Iêmen, 2014). Menina iemita é obrigada a casar aos 10 anos, pois seu pai precisa do dote. Dia 8, às 13h45 e 18h45, no Kinoplex São Luiz 2.

FILME DOC
Sembe! — O Pai do Samba (de Samba Gardjigo e Jason Silverman/ EUA/Senegal, 2014). Sobre Ousmane Sembene, um autodidata, que se tornou ‘pai do cinema africano’. Amanhã, no Oi Futuro Ipanema, às 16h.

FRONTEIRAS
Terra Natal (Iraque Ano Zero) Parte I — Antes da Queda (de Abbas Fahdel / Iraque/França, 2015). O diretor iraniano registrou as expectativas e a vida de sua família, antes e após a intervenção norte-americana no país. Domingo, na Cinemateca do MAM, às 14h.

ITINERÁRIOS ÚNICOS
Lygia Clark em Nova York (de Daniela Thomas. Brasil, 2014). Passeio pela trajetória da artista. Hoje, Cinemateca do MAM, às 15h.

HAL HARTLEY
Além de filmes do diretor na mostra ‘Lições de Cinema Hal Hartley’, a programação traz o recente ‘Ned Rifle’ (dia 7, no Estação NET Botafogo, às 21h15). Na sessão, o cineasta estará presente, assim como no debate realizado no mesmo dia, no Centro Cultural Banco do Brasil, às 15h.

MEIO AMBIENTE

CONTENÇÃO (de Peter Galison e Robb Moss. EUA, 2015). Sobre a existência de milhões de litros de lama radiativa, herança da Guerra Fria. Hoje, no C.C. Justiça Federal, às 19h15.

MIDNIGHT MOVIES
Green Room (de Jeremy Saulnier. EUA, 2015). A banda de punk rock The Ain’t Rights decide aceitar um último show, em que se depara com um assassinato. Amanhã, no Kinoplex São Luiz 2, às 13h45.

MOSTRA GERAÇÃO
Happy End? (de Petra Clever. Alemanha, 2014). Jovem conhece uma idosa, a quem promete cumprir o último desejo. Amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil, às 18h.

ORSON WELLES IN RIO
This is Orson Welles (de Clara Kuperberg e Julia Kuperberg. França, 2015). Documentário sobre o homem por trás do mito, através de rara entrevista com o cineasta e admiradores dele. Dia 9, no Centro Cultural Banco do Brasil, às 18h.

PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL
The Lobster (de Yorgos Lanthimos. Irlanda/Reino Unido/França/Grécia/Holanda, 2015). No futuro, a lei proíbe pessoas solteiras. Caso elas não consigam um par, são transformadas em um animal de sua preferência. Dia 9, às 16h30 e 21h, no Cinépolis Lagoon 5.

PANORAMA: GRANDES MESTRES
Tudo Vai Ficar Bem (de Wim Wenders. Alemanha/ Canadá/Suécia/Noruega, 2015). História sobre culpa e busca pelo perdão após um acidente de carro. Dia 9, no Odeon, às 21h30.

PREMIÈRE BRASIL
Aspirantes (de Ives Rosenfeld. Brasil, 2015). Jovem sonha ser jogador de futebol de grande time, enquanto lida com dramas familiares. Dia 10, no Kinoplex São Luiz 1, às 16h30 e 21h30.
Através da Sombra (de Walter Lima Jr. Brasil, 2015). Professora de dois órfãos acredita que as crianças estão sob influências malignas. Sessão Hors Concours, dia 10, no Ponto Cine, às 16h20.

PREMIÈRE LATINA
O Silêncio do Rio (de Carlos Tribiño Mamby. Colômbia/ Uruguai/França, 2015). Duas histórias paralelas, conectadas pelo rio e mortes. Hoje, no Estação Net Ipanema 1, às 17h (com presença do diretor).

STUDIO GHIBLI — A LOUCURA E OS SONHOS
Contos de Terramar (de Goro Miyazaki. Japão, 2006). Diante de estranhos eventos na terra, um feiticeiro nômade decide investigar o que está acontecendo. Amanhã, na Cinemateca do MAM, às 14h.

ENCERRAMENTO
O Clã (de Pablo Trapero. Argentina/Espanha, 2015). Baseado na história real que chocou a Argentina, o filme conta a trajetória de uma família de classe média que sequestrava, pedia resgate e, ao receber, matava suas vítimas. Dia 14, no Roxy 1, às 14h e 19h. 

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