Musa do Timoneiros da Viola reverencia Zé Keti e cria app de roda de samba

Bloco sai amanhã da Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz

Por O Dia

Rio - Por muito pouco a produtora e empresária Cecília Rabello, 35 anos, filha de Paulinho da Viola, não decidiu encarnar Nara Leão (1942-1989) no desfile do bloco Timoneiros da Viola, que acontece amanhã na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz. O novo visual daria muito trabalho à musa do bloco, e o desejo dos amigos portelenses falou mais alto. “Eu fui musa da Portela por alguns anos, e muita gente falou: ‘A gente está com saudade de ver você de musa, vai como você mesma!’ Vou como as pessoas pediram”, brinca.

Cecília é a mais próxima do pai entre os filhos de Paulinho da Viola%3A produz turnês e viaja com o sambista há 15 anosMaira Coelho

À frente do Timoneiros da Viola pelo quarto ano consecutivo, Cecília tem pela frente um desfile carregado de simbolismos em 2016. Após algumas temporadas no Parque Madureira, o bloco retorna para a Praça Paulo da Portela. E homenageia Zé Keti (1921-1999), figura mitológica do samba e da Portela, escola de Paulinho e de toda a sua família. A opção inicial de Cecília por representar Nara, que apresentou Keti para o público jovem em 1964 no espetáculo ‘Opinião’, veio daí.

“Sempre ouvi histórias dele. Sou amiga das filhas do Zé Keti, meu pai e o Zeca Pagodinho sempre falaram dele”, recorda Cecília, cujas aptidões artísticas pendem para o lado da produção: há 15 anos ela cuida dos shows e das turnês do pai. Tudo começou numa época em que ela fazia letras, trabalhava em um colégio e, de repente, passou a viajar com Paulinho.

“Sempre tive uma relação muito próxima com meu pai. Na época em que eu trabalhava em escola, vi que não queria fazer aquilo a vida toda. E minha mãe (a empresária de Paulinho, Lila Rabello) me passou tarefas”, conta. Foi fazer faculdade de Administração e se pôs à frente de eventos como a turnê de 50 de carreira do pai, além do show ‘Candeia 80 Anos’, realizado ano passado em homenagem ao sambista. Sua produtora Canto de Sala ainda está concluindo um aplicativo de rodas de samba cariocas, para celular, previsto para 27 de fevereiro.

A beleza e o amor à Portela já fizeram surgir um boato (prontamente desmentido) de que Cecília seria rainha de bateria no Carnaval de 2015. “Eu escrevi uma carta desmentindo. Na escola até me chamam de ‘rainha de bateria’, desde quando virei musa. Mas a rainha tem que ser uma menina da comunidade!”, frisa Cecília, que cuida bastante da saúde durante todo o ano. “Sempre gostei de esporte, de comida saudável e de dormir bem. E no Carnaval a gente perde muitos quilos sambando, aí complementa!”. 

Cecília%3A surfe e esportes em geral%2C boa alimentação e cuidado constante com a saúdeMaira Coelho

Zé e Paulinho 

Autor de sambas como ‘Máscara Negra’, ‘Opinião’, ‘Acender as Velas’ e ‘A Voz do Morro’ (sucesso nos anos 70 na regravação de Luiz Melodia), Zé Keti foi mais do que um amigo próximo de Paulinho da Viola. Foi um dos responsáveis por sua carreira. “O Zé tem uma importância grande na minha trajetória. Foi ele e o Sérgio Cabral (pai) que me batizaram Paulinho da Viola, lá no Zicartola, restaurante que Dona Zica e Cartola mantiveram por 20 meses (entre 1963 e 1965) na Rua da Carioca. Homenageá-lo é de fundamental importância”, diz. 

Festa na Praça

Contando com a participação de Zé Renato (Boca Livre), Nina Wirtti, Thaís Macedo e Leo Russo, os Timoneiros fazem sua concentração amanhã, meio-dia, na Praça Paulo da Portela, em frente à Portelinha. E ali mesmo, a partir das 13h, realiza-se outro evento ligado à história do samba: a Feira das Yabás, com muita culinária relacionada ao gênero musical, como jiló frito, angu à baiana, tripa lombeira e feijoada. “Será uma edição especial e também uma grande festa”, ressalta o criador da feira, Marquinhos de Oswaldo Cruz.

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