Coletivo de bandas da Tijuca dá noções de mercado e estrutura para novos grupos

Reuniões semanais são para trocar experiências e dividir tarefas

Por O Dia

Rio - Show de graça, más condições, som de péssima qualidade. E nada de dinheiro no final. Esse ciclo, realidade para muitas bandas independentes de todo o Brasil, é uma praga que a turma do Rock S/A, coletivo de bandas da Grande Tijuca, elegeu como inimigo a ser combatido. Completando um ano com uma média de 20 shows por mês e 35 grupos cadastrados, o coletivo (ou “organização”, como prefere chamar o criador do Rock S/A e produtor musical Marcelo Rain) objetiva a profissionalização de novos artistas de rock do Rio.

Tijuca%3A Bandas do coletivo no Centro de Referência da Música CariocaDivulgação

“Todas as nossas bandas começam fazendo shows em pequenos palcos para se preparar bastante para fazer turnês maiores. A ideia é mudar a cabeça do roqueiro do Rio, ensiná-lo a produzir, mesmo sem ele saber como se faz. Criar também um networking entre as bandas, para que elas se ajudem”, conta Marcelo.

O coletivo, que inclui grupos da região como Dashing Geeks, Urgia e Roque Malasartes, fechou parcerias com casas de shows como o Heavy Duty (na Praça da Bandeira), o Centro de Referência da Música Carioca Arthur da Távola (na Tijuca, onde acontecem reuniões semanais e shows) e o Contemporâneo Hostel (Botafogo).

Os shows são a preços baratos — R$ 10 em geral. Através de um fundo realizado pelas bandas, o Rock S/A custeia aparelhagem, assessoria de imprensa, produção de vídeo, foto e estúdio próprios.

“Podemos fazer qualquer lugar do Rio, porque levamos toda a estrutura. Se a casa não tem aparelhagem para shows e agendamos um show lá, levamos tudo”, conta Rain. “O importante é fomentarmos uma cultura de rock para o Rio. As bandas estavam se acostumando a tocar de graça e isso estava fazendo com que as casas se acostumassem a não pagá-las e, pior, que o público tivesse o hábito de não pagar ingresso para os shows. Como as bandas são pequenas, não temos como cobrar cachê, mas com dinheiro de bilheteria não temos problema”.

As reuniões semanais são para trocar experiências e dividir tarefas. “Os encontros são abertos e todo mundo pode participar”, conta Rain, que já dividiu tarefas com 50 bandas. “Numa dessas reuniões, fechamos a leva de 35 grupos. Elas decidem quem vai entrar, mas só entra quem somar e trabalhar junto”. 

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