Imperator comemora cinco anos de retorno

Casa de shows no Méier se afirma na Zona Norte do Rio

Por O Dia

Rio - Gestora do Imperator, Aniela Jordan faz questão de falar que a casa de shows do Méier, mesmo sendo um centro cultural pertencente à Prefeitura do Rio, é de todo mundo. “Os moradores vão na portaria, dão palpites, escrevem cartas falando o que eles querem ver na casa!”, espanta-se Aniela, alegre por ver o Centro Cultural João Nogueira, nome oficial do redivivo Imperator, completar cinco anos hoje.

Fachada do ImperatorDivulgação

A festa abre de manhã com dois eventos gratuitos, prossegue com uma feijoada e, na tradição da casa, tem três atrações musicais: roda de choro com o grupo Choro de Isabel, o cortejo do Fanfarra Black Clube e o show do Biquini Cavadão, que volta à sua cidade natal para continuar a turnê do disco ‘As Voltas Que o Mundo Dá’. E ainda estende-se até o fim de semana, com a temporada do musical ‘Bossa Nova em Concerto’, com direção de Sergio Módena e direção musical de Délia Fischer, e produção da Aventura Entretenimento.

“Mas todo o mês de junho pode ser considerado de aniversário”, conta Aniela, cuja equipe agendou apresentações de Eduardo Dussek e Soraya Ravenle (dia 21 no ‘Quartas Brasileiras’, projeto de shows à tarde), Marcos Valle (dia 22) e o show ‘Saudades da Elis — As Aparências Enganam’, com Tunai e Wagner Tiso, interpretando músicas gravadas por Elis Regina.

ARTISTAS E FREQUENTADORES

Fundado em 1954, o Cine Imperator, onde até hoje está instalada a casa, funcionou até 1986. Em 1991, foi reaberto como casa de espetáculos — abriu com show da cantora e atriz Shirley MacLaine e misturou apresentações de grandes nomes internacionais (Bob Dylan, Information Society e um sem-número de shows de heavy metal) e nacionais (Gal Costa, Barão Vermelho, Fafá de Belém). Esse período, que foi até 1996, foi importantíssimo para a carreira do Biquini Cavadão, que toca hoje na festa. Bruno Gouveia diz que a história da banda divide-se em antes e depois do Imperator.

Fanfarra Black ClubeDivulgação

“Em 1992, demos lá um dos shows mais importantes da nossa carreira. A organização do (antigo festival) Hollywood Rock assistiu e nos convidou para, em 1993, tocar no evento abrindo para o Red Hot Chili Peppers”, conta Bruno, lembrando de na mesma época ter sido bastante marcado por um show de Peter Gabriel que viu por lá.

Ele cita a letra de ‘O Último Romântico’, sucesso gravado por Lulu Santos, para definir o que acontece no local. “É como na música: eles reúnem a Zona Norte e a Zona Sul.

Lembro que, quando fui tocar no Imperator a primeira vez, nem sabia como chegar lá. E depois virou algo trivial”, conta. “Sem ele, a gente batalhava muito para fazer shows na Zona Norte. A alternativa eram as lonas, só que elas não têm a mesma estrutura. Vamos subir no palco com a faca no dente. O show está sold out há duas semanas”, anima-se Bruno.

DANÇA DE SALÃO

O Imperator não é só palco — tem o foyer e o terraço, cujos acessos são gratuitos e acabam se tornando espaços úteis para a comunidade. A agenda tem também eventos constantes, como o ‘Quartas Brasileiras’ (shows especiais, mirando no público maior de 60 anos, toda quarta de tarde) e Rio Novo Rock (shows de bandas novas, na noite de quinta-feira), e vários cursos.

“Temos uma aula de dança de salão para senhoras em que uma vez não tinha nenhum homem para elas dançarem. O porteiro e o bombeiro da casa dançaram!”, lembra Aniela, rindo. “O ‘Quartas Brasileiras’ está ótimo, temos 700 pessoas na plateia a cada show. Uma moça mandou carta agradecendo pelo projeto, porque a mãe dela vivia deprimida e ficou mais feliz por causa dos shows. E a casa já tem uma assinatura. A pessoa vai lá sabendo que vai ter coisa boa”.

CORTEJO

Um outro momento da comemoração de hoje é o show do Fanfarra Black Clube, que rola às 16h30 no foyer do Imperator, logo após a roda de choro. E a ideia do grupo de fanfarra é promover um cortejo pelos quatro andares da construção, já que começam na entrada recebendo os frequentadores e seguem para o terraço da casa.

“Vi muito show de rock no Imperator. É uma casa com tradição cultural e musical. O Rio precisa de mais casas assim”, conta Arthur da Cruz, saxofonista do Fanfarra, que nasceu com a ideia de trazer uma mistura diferente para o Carnaval: em vez de marchinhas, tocam black music: funk, rap, disco.... “Vai ser bem legal tocar no terraço porque terraços sempre têm pombos, e o pombo é nosso mascote”, brinca Arthur, que lançou com o Fanfarra o clipe da autoral ‘Oswaldo, O Pombo’. “E a própria Rua Dias da Cruz (onde fica o Imperator) é um polo cultural, com eventos pela rua”. 

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