Personalidade da Mocidade, Tia Nilda grava depoimento para museu

Líder das baianas da escola, sambista participa de projeto no Centro Cultural Cartola

Por O Dia

Rio - Uma das mais tradicionais sambistas do Carnaval, Tia Nilda gravará depoimento para o projeto Memória das Matrizes do Samba do Rio, no Centro Cultural Cartola, neste sábado, dia 13, às 10h. Coordenadora da ala de baianas da Mocidade há quase três décadas, Tia Nilda, 71 anos, contará histórias e curiosidades de sua trajetória de dedicação exclusiva à Verde e Branco. A entrada é gratuita mas as vagas são limitadas e as reservas devem ser feitas pelo e-mail cartola@cartola.org.br. O Centro Cultural Cartola fica na Rua Visconde de Niterói, 1296, em Mangueira.

A chegada de Tia Nilda na Mocidade e seu primeiro desfile como baiana, defendendo o enredo "O Descobrimento do Brasil", de 1979, os carnavais inesquecíveis, as mudanças por que passaram as alas de baianas e os desfiles ao longo das últimas décadas são alguns dos assuntos que serão abordados pela sambista. Sua convivência e amizade com grandes nomes do carnaval, como o carnavalesco Fernando Pinto, também serão abordados.

Tia Nilda%2C de branco%2C posa ao lado da porta-bandeira Lucinha e de baianasDivulgação


“Eu acho que o Fernando Pinto fez uma revolução no carnaval, como aquela comissão de frente de robôs”, conta, referindo-se ao mais inesquecível dos desfiles de sua vida, o de 1985, com o enredo "Ziriguidum 2001, um carnaval" nas estrelas. “O Fernando era muito meu amigo; ele só andava com aquele blusão branco com a bandeira do Brasil nas costas, calça e tênis amarelos”, relembra.

Sobre seu amor pela Verde e Branco, Tia Nilda é taxativa: “jamais vestiria uma fantasia ou outra camisa que não fossem da Mocidade”. Mais velha de uma família de sete irmãos (o oitavo faleceu prematuramente), A sambista acredita ter sido influenciada pelo pai e avó, ambos Unidos do São Carlos (atual Estácio de Sá) “roxos”. “Meu pai levava eu e minha irmã para ver os desfiles na Presidente Vargas. Mamãe fazia sanduíche de mortadela e Ki-suco e, chegando lá, meu pai comprava um caixote pra gente subir e ver. Eu ficava vidrada com as irmãs Marinho, com a Paula do Salgueiro, a Maria Lata D’Água...vi desfilar também o falecido Natal (da Portela)”, revela.

Carismática e de sorriso arrebatador, a baiana também fez incursões artísticas, atuando na série "Filhos do Carnaval", da HBO, e no filme "A Suprema Felicidade", de Arnaldo Jabor. Participou ainda de alguns comerciais veiculados na Argentina.

Se a plateia pedir, Tia Nilda – que na adolescência gostava de cantar – pode até cantarolar um dos sambas que mais a emocionam, "Rapsódia de Saudade", clássico de 1971, de autoria do amigo e compositor Toco, já falecido. “Canto, faço do samba a minha prece”, costuma cantar Tia Nilda.

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