Julia Lemmertz sobre personagem: 'Se comparada aos políticos, ela não é tão má'

Atriz vive a vilã Greta na novela 'Novo Mundo' e reafirma ficar incomodada com a exposição de sua vida pessoal

Por O Dia

Rio - Na última sexta-feira, Julia Lemmertz desembarcou no porto de ‘Novo Mundo’, ou melhor, sua personagem, Greta, chegou ao Brasil. Ela ainda é um mistério até para a atriz, mas já se sabe que é perigosa. A irmã de Wolfgang (Jonas Bloch) saiu da Áustria em condições suspeitas (casou e ficou viúva três vezes) e vai “bagunçar o coreto de Diara (Sheron Mennezes)”, como define a intérprete.

Julia Lemmertz como GretaDivulgação

“Greta veio procurar a ajuda do irmão, porque está falida depois da morte do último marido. Ela e Schultz (Ruben Gabira), o antigo mordomo de Wolfgang, vieram para acabar com a alegria de Diara. Ela quer desestabilizar a relação dela com o marido, seu irmão”, revela.

E a austríaca ‘chega chegando’ mesmo: se faz de boazinha, mas tem péssimas intenções. Ela também vai se envolver com Ferdinando (Ricardo Pereira) e atormentar ainda mais a vida de Diara. “Sem dúvida, ela é uma vilã”, garante.

PREPARAÇÃO

Julia acaba de chegar de uma temporada na Europa (se apresentou durante um mês na Alemanha e em Portugal, com os espetáculos ‘A Tragédia Latino-Americana’ e ‘A Comédia Latino-Americana’), e entrou na trama das seis, no ar há quase quatro meses, sem medo de ter que acompanhar o ritmo dos colegas. “É subir num bonde andando. Mas é estimulante! Ainda mais quando é uma novela tão bacana como essa, com atores tão geniais. Dá mesmo vontade de correr para entrar. Até que demorou”, brinca.

Para viver a europeia, que tem uma cicatriz na testa, ela descoloriu os cabelos e investiu no sotaque. “Fiz um pouco de aula de alemão e prosódia. Não tinha motivo para essa personagem, que vem da Áustria ao Brasil pela primeira vez, não ter um sotaque”, esclarece. “Gosto de novela de época, o figurino, a composição. É lindo construir um personagem a partir disso”.

Apesar da descendência alemã por parte de mãe (a atriz Lílian Lemmertz, 1937-1986), a gaúcha criada em São Paulo conta que não se baseou em características unicamente familiares para construir a personagem. “Peguei referências de vários lugares, filmes que vi, pessoas que conheci e fomos criando essa figura”, diz sobre a vilã, que ela nem considera tão terrível, se comparada com a realidade. “Considerando alguns dos políticos do nosso país, ela até que não é tão má assim”.

Julia LemmertzDivulgação

VIDA SIMPLES

Aos 54 anos — 36 de carreira — e em ótima forma, Julia afirma que envelhecer não a assusta. “Não penso na minha idade, penso em viver bem, ter saúde, me alimentar bem de corpo e alma. A gente envelhece inexoravelmente, mas a qualidade do envelhecimento é uma opção sua, mas não perco muito o tempo pensando nisso. Estar em paz ajuda muito”, reflete.

Mãe de Luiza, 29 (de seu casamento com Alvaro Osório), e de Miguel, 17 (da relação com o ator Alexandre Borges), e avó de Martin (filho de Luiza), de 7 meses — “A alegria que entrou na nossa vida” —, a atriz diz que continua não gostando de expor sua vida pessoal. “Me incomoda na medida em que o meu trabalho fica menos importante do que minha vida. Preservo o máximo que posso”, garante.

Fora da rotina intensa de trabalho, ela conta que precisa de momentos “fazendo nada” para se abastecer. “Exercitar a contemplação. Ir para o meio do mato e respirar.

Conseguir plantar e comer o que se planta também é uma benção”, diz. “Vivemos tempos muito sombrios e difíceis. Fomos muito irresponsáveis com a nossa casa. A terra está ressentida de tantos maus tratos, e nos maltratamos uns aos outros ainda por cima. O modo de viver e pensar a vida vai ter que mudar, está mudando, esse sistema está falido. Mas vai piorar antes de melhorar”, prevê.

Julia diz que tem sorte de viver do seu trabalho, mas sonha com algo mais: “Quero aprofundá-lo, em todos os sentidos. Quero fazer realmente o que fizer sentido para mim, que tenha não só um valor de entretenimento, mas que seja provocador, inspirador”.

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