Diretor de 'True Blood' solta o verbo e diz que não gostou de final da série

Dan Attias dirigiu ainda ‘The Walking Dead’ e ‘Homeland’

Por O Dia

Rio - Diretor que se preze defende suas produções até o fim. É isso que Dan Attias, que já assinou a direção de grandes séries de TV estrangeiras como ‘True Blood’, ‘The Walking Dead’, ‘Homeland’, ‘Lost’, ‘House’, ‘The Wire’, ‘The Sopranos’ e outras mais, tenta fazer. Mas nem sempre é possível. Assim como os fãs de ‘True Blood’, Dan não ficou satisfeito com o ‘happy end’ escolhido para encerrar a série. “Sei que os fãs não gostaram, eu também não gostei. Os roteiristas não souberam fazer um trabalho achando um bom final”, disse Dan, em entrevista exclusiva ao DIA.


Dan também não aliviou o desdobramento das últimas temporadas de ‘Lost’. “Os autores não tinham a menor ideia do que estavam fazendo. Eles diziam: ‘Vamos colocar isso, vamos colocar aquilo’, e saíam adicionando coisas no roteiro que não tinham nada a ver. Deu no que deu. Em ‘The Wire’ foi bem diferente. Sabiam desde a primeira temporada o que queriam na última”, explica o diretor, que esteve no Rio para o encerramento do Concurso NETLABTV 2014, projeto que identifica e premia novas ideias de séries brasileiras com foco em TV por assinatura.

Diretor admitiu que não ficou feliz com o final da série Divulgação

A quantidade de temporadas pode até ser um termômetro para avaliar a aceitação das séries, mas também pode implicar no desgaste do roteiro, analisa Dan. “Quando se tem uma boa história, a gente trabalha para durar até dez temporadas. Mas, quando a trama não é boa, prolongar só prejudica. Sem contar que algumas séries são muito sensíveis à audiência”. Em ‘Homeland’, um ator foi salvo aos 45 do segundo tempo após ter sido contemplado com o Emmy, prêmio mais importante da televisão americana. “Os autores iam matar o terrorista Brody (Damien Lewis) na primeira temporada, mas ele ganhou um Emmy e a galera o amava. Então, resolveram mantê-lo”, diz Dan, aos risos.

Sobre as produções brasileiras, Dan destaca os filmes ‘Cidade de Deus’ e ‘Pixote, a Lei dos Mais Fracos’. Com um currículo recheado, Dan tem suas preferências, claro. Entre suas queridinhas estão ‘The Wire’ e ‘The Sopranos’. “Gostei da maioria que fiz. Em ‘Homeland’, filmei os episódios com mais ação, mas confesso que gosto mais de explorar dramas interpessoais”, admite.

Amante de séries, o diretor revela que quando estão comentando muito sobre alguma produção nas redes sociais, ele assiste, muitas vezes para saber se gostaria de dirigir algum episódio. ‘Game of Thrones’ está na mira dele. “Ainda não dirigi ‘Game of Thrones’, mas gostaria muito. Gosto de colocar meu coração nas coisas que faço, tenho que me entusiasmar e não mudaria nada nessa trama, por exemplo. Quando é assim, meus agentes entram em contato com os produtores e oferecem meus serviços. Sei que muitos produtores podem me oferecer um grande material”.

As cifras são altas, ele admite. Cada episódio chega a custar de US$ 3 milhões a US$ 6 milhões. “Não sei dizer quanto custa uma temporada inteira, posso falar por episódios. É como se filmássemos um pequeno filme. O ‘The Killing’ é um dos mais baratos”, avalia. Mesmo com um custo elevado, Dan acredita que o Brasil pode investir no ramo. “Por que não? Tenho certeza que sim. O Brasil tem pessoas talentosas e dinheiro”, reflete Dan, que é otimista quanto ao seu trabalho. Ele só não quer saber dos temidos spoilers. “Se eles continuarem, eu vou perder meu emprego”, diverte-se.

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