Gilberto Braga: Arrecadação sobe, mas crise continua

É preciso repensar o modelo do Estado brasileiro, torná-lo mais eficiente e mais barato

Por O Dia

Rio - Penúltimo dia para a entrega da declaração anual de imposto de renda e a constatação de que a cada ano, o programa da Receita Federal fica mais aprimorado e torna a prestação de contas mais fácil, diminuindo as possibilidades de erros e omissões não intencionais. Ao mesmo tempo, por outro lado, a carga tributária sobre o cidadão é maior a cada ano e nos leva a reflexão sobre o papel do Estado e quanto custa ter um gestor tão incompetente como ele vem demonstrando ser.

A Constituição Federal de 1988, chamada de “Cidadã”, foi festejada à época de sua promulgação pelo seu amplo caráter protetor, que definiu como responsabilidade do Estado tudo o que seria necessário para que o país se desenvolvesse, eliminasse as desigualdades de classes e de regiões e fosse capaz de gerar uma vida mais justa e feliz para o brasileiro.

Para que esse Estado super-herói pudesse cumprir o seu papel foram criados uma penca de novos tributos e outros tantos aumentados, de forma que a carga tributária brasileira, em 26 anos, desse um gigantesco salto de 25% para 36% do PIB. Um aumento escandaloso de 44%.

Nunca se pagou tantos impostos, contribuições e taxas como hoje, sem que nenhum daqueles objetivos fosse alcançado. Ao contrário, em muitas áreas, os serviços só pioraram e a burocracia cresceu, trazendo junto a má gestão e o inchaço generalizado da máquina pública.

O que avançamos nos últimos anos foi decorrente de políticas econômicas acertadas em alguns momentos. O Estado, via de regra, arrecada muito, gasta muito e gere mal. As falhas são gritantes e estão aí nas manchetes de cada dia, na roubalheira, na corrupção, na falta de recursos para pagar a folha. Por isso é preciso repensar todo o modelo do Estado brasileiro, torná-lo mais eficiente e mais barato, retirar-lhe atribuições para qual se mostrou incapaz e diminuir a burocracia e a carga tributária.

Últimas de Economia