Crivella desiste de proibir as pesquisas

Advogados do PRB acionaram o TRE para impedir divulgação, mas candidato decidiu retirar a ação

Por O Dia

Rio - O candidato ao governo do estado pelo PRB, Marcelo Crivella, desistiu ontem de proibir a divulgação de pesquisas para o segundo turno. Nos meses que antecederam o primeiro turno, o senador apareceu em terceiro lugar. Mas no domingo, fechadas as urnas e contados os votos, ficou na frente do ex-governador Anthony Garotinho (PR) e disputará o segundo turno com o governador Luiz Fernando Pezão.

“Os advogados do meu partido entraram com uma ação para proibir a divulgação de pesquisas para o segundo turno, mas, quando eu fiquei sabendo, pedi para que retirassem essa ação. “Acho que isso não contribui para a democracia”, disse.

O senador afirmou que elaborou projeto de lei, em tramitação no Congresso, que pede a divulgação pelos meios de comunicação de todas as pesquisas registradas na Justiça Eleitoral. “Registrou a pesquisa, todos ficam com o mesmo espaço. Se você dá espaço só para quem você contrata, pode dar espaço para maracutaia”, diz.

Na Baixada%2C Crivella prometeu ontem construir um hospital em Nilópolis e fazer investimentos em infraestrutura em Nova Iguaçu e MesquitaCacau Fernandes / Agência O Dia

Na ação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Crivella exigia a suspensão da divulgação de pesquisas para o segundo turno das eleições, que será no dia 26 de outubro. Na justificativa, o senador alegava que os números divulgados pelos institutos responsáveis pelas principais pesquisas — Datafolha e Ibope — apresentavam erros que prejudicaram sua campanha.

Segundo Crivella, as pesquisas criaram “ânimos artificiais” nos eleitores, fato que acabou prejudicando sua imagem. No documento que chegou a ser enviado ao TRE, mas teria sido retirado, o candidato do PRB defendeu o estabelecimento de regras para a divulgação das pesquisas e defendeu a punição para o caso dos erros terem sido intencionais.

No mesmo documento, o candidato lembrou que divulgar pesquisas fraudulentas é crime punível com detenção e multa. O político reforçou, contudo, que não se tratava de censura prévia, uma vez que, se o erro passar impune, “abriria a porta para que os abusos sejam cada vez mais perpetrados”.

O candidato condenou a discrepância entre o resultado das pesquisas e o que as urnas mostraram no último dia 5. Para corroborar sua tese, ele argumentou que o Ibope, na véspera do pleito, mostrou Luiz Fernando Pezão (PMDB) em primeiro, com 34 %, e Anthony Garotinho (PR) em segundo, com 28%. Nesta simulação, Marcelo Crivella apareceu com 18% das intenções de voto. O resultado do primeiro turno mostrou Pezão na liderança, com 40,57% do votos, e Crivella com 20,26%. Garotinho ficou na terceira posição, com 19,73% dos votos.

Após sabatina realizada nesta sexta na Fecomércio e antes do recuo do senador, o governador Pezão condenou a representação feita por Crivella. Ele disse que é um “absurdo tolher a democracia” e alegou que as pesquisas “erraram para todo mundo.”

Para ele, proibir a divulgação das pesquisas é uma violência muito forte. “Muitas pessoas perderam a vida lutando pela democracia. Não pode proibir. E, se tem um candidato que tem que reclamar, sou eu porque me davam com 30%, 31% e eu tive 41% dos votos”, afirmou Pezão. “Os institutos tiveram muita dificuldade, e todos erraram, mas daí a proibir que se divulgue pesquisa é uma violência muito forte.”

Reportagem de Leandro Resende, Juliana Dal Piva e Paulo Capelli

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