Crivella responsabiliza Sérgio Cabral por novos ataques de Pezão à Universal

Candidato do PRB diz que atitude não corresponde à índole do adversário do PMDB

Por O Dia

Rio - Voltou a chover farpas durante debate entre os candidatos ao Palácio Guanabara Marcelo Crivella (PRB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), nesta terça-feira, na rádio CBN. De um lado, o peemedebista que, em tom de revanchismo, insistiu em acusações contra a igreja Universal e se considerou alvo no primeiro turno de outros candidatos. De outro, o candidato do PRB, que forçou na estratégia de retomada de escândalos do PMDB, citando como exemplo o episódio conhecido como "farra dos guardanapos". É claro que apoios e alianças políticas também foram "cutucados" e os ex-governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR) foram lembrados.

Na primeira rodada de perguntas, Pezão não perdeu tempo e questionou o oponente sobres supostas empresas do candidato nas Ilhas Caimã. Crivella rebateu dizendo que processo foi arquivado há 15 anos e se posicionou: "Você sabe que eu sou Ficha Limpa". Pezão retrucou: "Eu sou Ficha Limpa que nem você. Se não, não poderia ser candidato". Em tom de revanchismo, o peemedebista disse ter "apanhado" dos quatro adversários com quem debateu no primeiro turno e desafiou: "Agora somos só nós dois". De acordo com o governador, "o segundo turno é para isso, para conhecermos melhor os candidatos"

Pezão retoma ataques contra o adversário e diz que população precisa "saber o que está por trás" de campanhaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Entrando no tema saúde, Crivella disparou: "Um dos mais assanhados lá em Paris era o secretário de saúde, enquanto o povo aqui sofria", lembrou o postulante do PRB em uma das primeiras referências à "farra dos guardanapos", quando o ex-governador Sérgio Cabral e outros membros do governo tiveram fotos divulgadas com guardanapos na cabeça durante jantar em Paris, na França.

Em conta realizada por Crivella, o Rio dispunha de R$ 80 bilhões e, de acordo com cálculos do postulante do PRB, ao menos nove bilhões poderiam ter sido destinados à saúde. "Não fica igual ao Garotinho, não. Não mente, não.", disse Pezão ao adversário em tom de súplica. "Não coloca esses número assim, não. Estuda mais os problemas do estado para a gente debater. De onde você tira esse orçamento de R$ 9 bilhões para a Saúde?", seguiu com os pedidos o governador.

Propostas e promessas de insenções fiscais e redução de carga tributária surgiram na segunda rodada de perguntas. Crivella disse considerar possível a redução do IPVA para 2% e que renúncia de recebimentos da receita deveria ser absorvida pelo estado, e que o ônus não pode ser repassado para as prefeituras. Sobre o mesmo tema, Pezão disse que mudanças estão sendo realizadas desde 2007 para melhorar a vida do contribuinte. O governador seguiu pregando a necessidade de melhoras e fechou com o bordão "há muito a ser feito".

Ainda no mesmo bloco, em resposta a pergunta de ouvinte, Crivella disse que, se eleito, ao fim dos quatro anos de mandato levaria, sim, parente para ser tratado em hospital estadual e colocaria filho para estudar em colégio também do estado."No governo atual, não. No meu sim", enfatizou o postulante do PRB. As alfinetadas seguiram com promessas de melhorias na educação e saúde pelo candidato: "Não farei como (Sérgio) Cabral fazia ao chamar médicos e professores de vagabundos". Respondendo à mesma pergunta, Pezão ressaltou ganhos tanto em Saúde, como em Educação em Piraí, município do qual foi prefeito. O candidato do PMDB citou visita de Lula ao município e disse que ex-presidente se emocionou com avanços na saúde.

Crivella foca em corrupção para criticar governo do PMDBEstefan Radovicz / Agência O Dia

Crivella mostrou confiança ao rebater considerações de Pezão sobre o apoio que o candidato do PRB recebeu do ex-candidato do PR, Garotinho. O postulante do PRB disse que PMDB está apreensivo e disparou: "Você sabe que vai perder. As pesquisas não são favoráveis ao seu partido. Eu não fiz aliança, eu tenho apoio." O candidato continou e disse que único pedido de antigos adversários foi para que Carbral fosse derrotado.

Assumindo estratégia, Pezão voltou a bater em associação de Crivella com a igreja Universal: "Para quem você vai governar? Só para a Universal e para a sua cúpula na igreja?". O governador mirou em passado de Crivella e chegou a chamar o candidato de "testa de ferro do bispo Macedo". Crivella assumiu a defensiva e rebateu: "Não é você, Pezão, não é da sua índole. Isso é coisa do Cabral. O Cabral é que fica tentando você a vencer as eleições com injúrias".

Já no quarto bloco, sobre segurança pública, Crivella prometeu criar quadro temporário de oficiais, contratar mais oficiais e aumentar o efetivo como forma de acabar com ciclo contrata-exonera na Polícia Militar. Também disse ser necessário cuidar da seleção e formação e um setor de corregedoria independente.

"Escândalos quem tem é a cúpula da Universal", respondeu prontamente Pezão. Ninguém investiu tanto em Segurança Pública como o nosso governo. "Nunca um governo valorizou tanto os policiais", afirmou o governador.