Petkovic: 'Ter feito história no Rio é motivo de um grande orgulho para mim'

Prestes a viajar para a Sérvia, craque de Fla, Flu e Vasco relembra carreira e revela desejo: 'Quero trabalhar num clube'

Por O Dia

Rio - Se no futebol o nome de Dejan Petkovic é sinônimo de sucesso, agora o craque vem projetando a vida no ramo empresarial. Longe dos gramados desde 2011, quando se despediu do futebol numa partida entre Flamengo e Corinthians, o sérvio vem apostando no trabalho junto à suas próprias empresas, mas ainda guarda boas lembranças da época de jogador. Às vésperas de uma nova viagem para o seu país, Pet arranjou na agenda um tempo para encontrar o DIA e relembrar um pouco da bela história feita no Rio, onde atuou por Flamengo, Fluminense e Vasco.

"Ter feito história aqui no Rio é motivo de um grande orgulho para mim. É uma cidade maravilhosa. Quando cheguei ao Brasil não esperava viver isso tudo. Era como um grande desafio antes de retornar para a Europa. Depois, quando voltei para cá, passei a viver uma nova vida. Sou muito feliz por tudo que consegui construir aqui", disse Petkovic.

Durante encontro no restaurante Deki Pizza e Pasta, na Barra da Tijuca, Pet não guardou palavras para exaltar o grande carinho construído pelos clubes e também pela Cidade Maravilhosa. Um dos maiores ídolos do Flamengo, o sérvio demonstra tranquilidade ao afirmar que a relação com o Rubro-Negro ainda não acabou. Após os cursos feito na Espanha, o craque revelou que o objetivo maior ainda é seguir a vida profissional junto ao esporte, mesmo sem ter realizado o grande sonho de disputar uma Copa do Mundo. Integrado com o Rio, o futuro também tende a se desenhar na Cidade Maravilhosa.

O DIA: Como está sendo a vida longe dos gramados?
Petkovic: Estou trabalhando bastante, tocando minhas empresas, tenho atacado em diversos ramos de atuação, desde o alimentício até os marketing de eventos, sem contar na academia que também tenho na Sérvia. São estabelecimentos que já estão montados desde a época que eu era jogador. Sempre estive como sócio, mas era complicado estar presente até pelo lado profissional. Agora, com mais tempo, estou de olho em algumas e mais presentes em outras.

O objetivo é seguir neste ramo?
Meu sonho é trabalhar com o esporte. Quero trabalhar em um clube. Fiz um curso de gestão esportiva na Espanha, sou especialista nesta área de diretoria esportiva. Quero chegar a este posto, estou preparado para isso. E também tem a velha história de todos os meus amigos continuarem enchendo o saco para que eu seja treinador (risos). São duas funções que eu espero poder desempenhar. Seja em algum lugar que eu já estive, ou então criando uma nova história, este é o objetivo.

E o convite para integrar a equipe de Fut7 do Flamengo? Existe a possibilidade de se firmar oficialmente no time?
Fui convidado pelo José Moraes. É tipo aquela velha pelada que jogamos sempre, só que com mais profissionalismo, com uma boa estrutura, a molecada correndo bastante (risos). Como gosto de jogar às vezes, acabei dizendo que poderia fazer parte, mas desde o momento que não atrapalhe minha agenda. Como eles deixaram claro que seria desta maneira, que eu estaria presente quando pudesse, quando não tiver nenhum compromisso, posso acabar estando lá em algumas vezes para ajudar o pessoal. Mas acho que eles não precisam muito da minha ajuda não, os garotos estão ganhando tudo (risos).

Durante encontro em seu restaurante, Petkovic revela que almeja novos passos junto ao futebolRafael Arantes / Agência O Dia

Mas pensa em voltar ao Flamengo de forma oficial de algum outro modo?
Veja, para o Flamengo um dia eu vou voltar. Ainda não sei em qual função, mas vou estar lá. Tenho uma bela história com o clube e me tornei um ídolo. É uma grande relação.

Como se sente sabendo da admiração das torcidas de Flamengo, Vasco e Fluminense?
Para mim é um grande orgulho. Ter passado por três clubes que possuem uma grande rivalidade e ter se tornado ídolo dos três. É algo que me deixa satisfeito. Todas as torcidas sempre mostraram um carinho muito grande por mim, pedindo para que eu estivesse de volta, até mesmo a do Botafogo muitas vezes brincavam e perguntavam por qual motivo eu não atuei lá. É uma coisa muito legal, muito interessante e agradável ter essa coisa toda com eles.

Entre os três clubes cariocas, com qual você possui um carinho mais intenso?
Tenho realmente uma ligação maior com o Flamengo, até pelo tempo que joguei lá. Eu me tornei um dos maiores ídolos depois do Zico, conquistei muitos títulos. Então acabo tendo um vínculo mais intenso com o clube, mas é algo que faz parte da profissão também. Foi um lugar onde permaneci por mais tempo, tive resultados muito positivos e isso acaba gerando uma integração maior com o ambiente.

Petkovic tem forte ligação com o FlamengoCarlos Moraes / Agência O Dia

Mesmo se destacando no Rio, sua chegada ao Brasil ocorreu na Bahia, atuando pelo Vitória. O que guarda desta época?
Tenho muito carinho pelo Vitória, sempre desejo o melhor para o clube. Costumo falar que torço para o Vitória até mesmo por ter sido meu primeiro clube aqui no Brasil. É um lugar onde eu me sentia muito feliz, tenho grandes amigos lá. Foi um clube que me acolheu e me ajudou muito a me adaptar às diferenças de estrutura e próprio convívio que havia na Europa antes de chegar ao Brasil. Enfrentei muitas dificuldades e lá eu tive um apoio muito grande.

E sua despedida? Foi somente aquela partida contra o Corinthians ou ainda podemos esperar o tão sonhado segundo jogo?
A despedida foi maravilhosa, fantástica. Mas o Flamengo sempre fala muito e pouco faz. Tenho uma carta assinada, mas não estou cobrando nada da nova diretoria até pelo fato de ter sido algo firmado com a gestão antiga. Caso eles queiram cumprir isso, vou ficar muito feliz, mas caso não aconteça não terei o direito de ficar chateado. Na época, chegamos a assinar um acordo de uma nova despedida contra o Estrela Vermelha, da Sérvia, para que eu me despedisse lá também. Mas infelizmente parece que ficou deixado de lado.

A nova diretoria do Flamengo vem te agradando? Está acompanhando as mudanças?
Temos que saber diferenciar a gestão do clube e do futebol. No clube estamos vendo coisas muito boas, mesmo com o início sempre mais complicado. A tendência das coisas é melhorar, isso é muito bom. Já no lado do futebol, o Flamengo ainda precisa melhorar bastante, as coisas não estão perfeitas. Sobre o Mano, qualquer um pode ser uma boa opção. Por ser um treinador com uma grande bagagem, pode contar a favor. Vamos esperar e torcer.

O que está achando da atual fase de Vasco e Fluminense?
O Vasco está num momento de muita crise. Está perto de entrar num ano letivo, de eleições. Existem muitos problemas financeiros, críticas à diretoria atual. É um caso complicado. O clube não está conseguindo explorar o valor da camisa. Não está conseguindo evoluir e conseguir alguns aliados, como o próprio Flamengo fez agora com os novos patrocinadores. De outro lado, o Fluminense ainda goza dos benefícios de ter a presença da Unimed do seu lado. Mais que um patrocinador, ela é uma grande parceira do Fluminense, ajuda com contas, com reforços, mas ainda tem coisas que podem melhorar. No geral, é uma fase em que os clubes do Rio precisam recuperar sua confiança, sua autoestima. É preciso ter cuidado e saber trabalhar para que as coisas não virem uma grande bola de neve.

O que você guarda desses anos no futebol brasileiro? Momentos, amigos...
Foram muitos momentos marcantes, é difícil citar apenas um. O gol do Tri, por exemplo, é algo que marcou ainda mais depois do que na hora. No lance do gol existe a adrenalina intensa, e tudo mais, mas só depois passamos a ver o que realmente é. Quanto ao fato das cobranças de faltas, posso dizer que sempre tive esse talento. Quando era mais jovem, tive um grande professor, na Sérvia, que me ajudou muito, fez eu melhorar bastante. Depois disso, tudo é questão da prática, do trabalho. Agora, falar sobre parceria é complicado. São muitos companheiros. Foi bom jogar com Adriano, Ramon, Marcelinho Carioca, Juan, Tuta, Henrique, Flavio Tanajura, que é o melhor amigo no futebol também. É muita gente, muita coisa fica guardada.

O Brasil foi uma grande surpresa para a sua vida?
Com certeza. Cheguei ao Brasil para um grande desafio. Os jogadores geralmente iam do Brasil para a Europa e não ao contrário. O objetivo inicial era vir para cá, me destacar e voltar e foi isso que aconteceu, logo depois do Vitória fui para a Itália. Agora, depois que voltei as coisas mudaram. Tanto pela passagem pelo Flamengo, como Vasco, Fluminense. Conhecer o Rio marcou isso. Hoje, o Brasil é a minha segunda casa, foi muito bom ter acontecido tudo aqui. Ter conhecido o Rio, esta cidade maravilhosa...

O que faltou realizar?
Ah, isso é muito relativo. Poderíamos ter conquistado o Brasileiro com o Fluminense, em 2005, que começamos bem, mas acabamos vacilando. Assim como a Libertadores de 2010, com o Flamengo, muitos esperavam o título, mas não dava, não tinha chance, as coisas já estavam muito complicadas. Agora, seleção é algo que eu teria muito prazer de ter defendido na Copa. Ter uma participação na Copa do Mundo era uma boa coisa para que pudesse fazer. Isso sim é algo que me faltou.

Petkovic: Craque sérvio tem caminhada de sucesso no futebol brasileiroArte: O Dia Online


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