Por onde anda? Osmar, o zagueiro que parou Pelé por duas vezes

Em reconhecimento, o Rei deu a camisa ao algoz

Por O Dia

Rio - Pouquíssimos zagueiros do mundo podem se gabar da façanha de ter parado um dia o Rei do futebol. Que o diga o ex-jogador Osmar Guarnelli. Apesar de ser injustamente lembrado só pelo chapéu que levou de Roberto Dinamite - no antológico gol que o camisa 10 marcou na vitória do Vasco sobre o Botafogo, por 2 a 1, no Carioca de 76 - Guarnell já teve Pelé aos seus pés por duas vezes: nos Brasileiros de 71 e 72. Quarenta e dois anos após o feito, o ex-jogador, que atualmente trabalha como consultor-técnico da Ponte Preta, lembra-se com orgulho do dia em que ganhou o maior troféu da carreira.

Osmar planeja voltar a ser técnicoAgência O Dia

“Treinei muito e dormi cedo na semana. Todo mundo só falava do jogo. E para piorar, meu pai chegava tarde em casa e me acordava lembrando que eu ia enfrentar o Negão. Quando Pelé partia para cima parecia um gigante, mas o jogo foi 0 a 0 e fui eleito o melhor em campo. Quando fui pedir a camisa ao Pelé, ele reconheceu: “Moleque, você jogou muito bola hoje, hem!”

A sonhada camisa 10 viria um ano depois, no Brasileiro de 72, e novamente com uma atuação de gala com direito a nota 10. O Botafogo venceu por 2 a 1, no Maracanã, e manteve a invencibilidade de seis jogos contra o rival.

“O Santos tinha um timaço. Olhava para um lado e via o Pelé e do outro, o Edu. Mas vencemos e ele se lembrou da promessa e me deu a camisa”.

As grandes atuações do zagueiro lhe renderam uma vaga na Seleção, que disputou os Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, onde se destacou. Depois de nove anos de Botafogo, Osmar se transferiu para o Atlético-MG, em 79, e brilhou. Ganhou a Bola de Prata da Revista Placar, do mesmo ano, foi vice-campeão brasileiro em 80, e depois pentacampeão mineiro.Em 83, trocou o Galo pela Ponte Preta. E em 89, resolveu pendurar a chuteira para se arriscar como treinador.

“Quando jogava ninguém falava do chapéu, mas quando parei era lembrado só pelo lance. Fiquei chateado, mas isso não me abalou. Joguei em três clubes preto e branco e fui muito feliz. Meu coração é alvinegro. Melhor, botafoguense”, entregou.

Briga com Coutinho custou a Copa

Uma das tristezas de Osmar foi não ter ido à Copa de 78. Uma briga com Claudio Coutinho, ao chegar atrasado a um treino, lhe custou a vaga. Destratado pelo treinador, junto aos companheiros, revidou.

Osmar na época de jogadorarquivo pessoal

“Nunca chego atrasado, a seleção que joguei não foi qualquer uma, como o senhor disse, e o capitão não fala assim com o Torres”, disse Osmar, revelando que Coutinho foi expulso de reunião em que o grupo discutia patrocínio.

“Ele teria sido o melhor do mundo se não tivesse morrido”, frisou, sem mágoa.

Ex-zagueiro quer retomar carreira de técnico no Rio

Dez anos após sofrer um traumatismo craniano, que lhe deixou 12 dias entre a vida e a morte e 40 em um hospital, Osmar Guarnelli está novinho em folha e pronto para voltar a trabalhar como treinador.

“Acho que esqueceram de mim, o filme”, brinca.

“Foi o acidente, acham que estou maluco, quebrado ou torto. Mas estou ótimo. Não rasgo dinheiro. Gostaria de voltar a trabalhar como treinador, mas em um clube do Rio. Queria até mais na categoria de base. Não sei fazer outra coisa a não ser trabalhar com futebol”, diz Guarnelli, que no momento indica jogadores para a Ponte Preta e ainda é voluntários de projetos sociais voltados para o futebol, enquanto não retoma a carreira de técnico.

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