Robinho é o retrato da Seleção

Veterano assume o papel de protagonista do Brasil

Por pedro.logato

Rio - Ao perder Neymar, a seleção brasileira ficou com Robinho como a sua maior referência. Não chega a ser um desastre porque Robinho ainda guarda alguma lenha para queimar, embora não tenha emplacado com a Amarelinha nem no seu auge. Quem sabe não aproveita essa chance? Mas o seu retorno não deixa de revelar o retrocesso de nosso futebol, que não encontra novos craques confiáveis em posições decisivas e continua refém de um mesmo estilo e de esquemas táticos ultrapassados. Robinho parece uma versão desgastada de Neymar e só mesmo um capricho do futebol para fazer com que a Seleção seja vitoriosa e encontre novas soluções. Robinho é, inclusive, dado também a uma certa impaciência com marcações fortes e eventualmente se rebela contra árbitros e adversários. Resta torcer para que o improvável derrote a lógica — afinal, o futebol brasileiro precisa de surpresas positivas.

Robinho brinca no treino da Seleção em SantiagoLeo Correa/Mowa Press

DRAMA DAS LATERAIS

O Fla tem sofrido com problemas nas duas laterais. Primeiro, era Léo Moura que já não rendia como antes, embora ainda fosse superior aos seus substitutos. Criou-se um clima ruim, foi até parar no meio-campo e ficou claro que Vanderlei não queria mais contar com ele. Ninguém resolveu o problema, Pará virou fonte de crise e, na esquerda, Anderson Pico, que já teve brilhareco, está de volta, mas ainda pairam desconfianças sobre ele. Quanto a Armero, quem aposta?

SÓ NA MÍDIA

Já que o futebol do Vasco anda muito ruim, na lanterna do Brasileiro, Eurico Miranda resolveu ser ele o craque na mídia e vive de factoides diários. Fartou-se de falar em contratações — já chegou até Ronaldinho — e como alguns sonhos se esfarelaram, ele voltou ao assunto ridículo do lado da torcida no Maracanã no jogo com o Fluminense. Ameaça boicote e pede greve da torcida como se o Vasco nadasse em dinheiro. Eurico dá um show de alucinado amadorismo.

O MENOR APELO

Dos jogos das quartas de final, Peru e Bolívia é o de menor apelo, não apenas pela pouca tradição, mas pelo próprio futebol exibido pelas duas seleções nesta edição da Copa América. O Peru é um pouco melhor por estar mais arrumado taticamente e por ter Paolo Guerrero, o novo craque do Flamengo. A Bolívia vem surpreendendo e só abriu a guarda para a pressão chilena, que goleou por 5 a 0. Mas, depender tanto de Marcelo Moreno no ataque, é muito pouco.

FOCO ERRADO

O cargo de técnico sempre foi instável e dependente de bons resultados. Mas, na fase atual, a coisa entrou em um ritmo doentio e claramente como cortina de fumaça para a incompetência dos cartolas e a falta de craques. A bola da vez foi Hélio dos Anjos (foto), no Goiás, por causa de algumas derrotas depois de uma boa fase da equipe. Daqui a pouco vão falar da queda de Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges,Enderson Moreira ou Celso Roth. Alguém duvida?

POR ENQUANTO, O SPORT É A EXCEÇÃO QUE CONFIRMA A REGRA

Com tantos técnicos entrando e saindo, Eduardo Baptista já emplaca mais de 100 jogos no Sport, completa um ano e meio no cargo e prova, como já aconteceu com Mano Menezes e Marcelo Oliveira, que vale a pena ter paciência. O Sport já viveu momentos difíceis, a torcida pressionou, mas a atual diretoria resistiu, ao contrário das anteriores. No Brasileiro, o Sport mantém surpreendente liderança, mostra time sólido e elenco de bom nível. Será que continuará assim?

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