Fla-Flu de presente para as mães

Dona Roseli e Dona Lenice vão ficar coladinhas na TV torcendo por uma vitória dos filhos Gum e Léo Moura

Por O Dia

Rio - O dia dedicado a elas não terá o tradicional almoço em família, mas a TV, com certeza, ficará ligada para poderem torcer pelos filhos no clássico de hoje entre Fluminense e Flamengo, às 16h. Dona Roseli e Dona Lenice receberão presentes de Gum e Léo Moura pelo Dia das Mães, mas só uma poderá comemorar mais do que a outra, dependendo do resultado de logo mais, no Maracanã, assim como milhares de mães tricolores e rubro-negras.

O Gum Guerreiro que a torcida exalta teve a quem puxar. Sua mãe, Dona Roseli, praticamente cuidou dos quatro filhos sozinha, após a morte do marido, quando o zagueiro do Fluminense tinha apenas três anos. A vida não era fácil como doméstica na cidade de Lins, em São Paulo, mas ela conseguiu sustentar a família e hoje se enche de orgulho por saber que todo o sacrifício valeu a pena e é recompensado.

“Cuidei dos quatro sozinha, trabalhei como doméstica, fazendo faxina. Foi com muita luta que consegui dar estudo a eles. O Gum me recompensa com amor, carinho, ajuda toda a família. É um orgulho grande, assim como os outros filhos”, afirmou.

Dona Roseli, mãe de Gum, cuidou de quatro filhos praticamente sozinhaarquivo pessoal

Orgulhosa do passado, Dona Roseli, no princípio, tinha dúvidas sobre a escolha do filho em ser jogador. Enquanto a mãe precisava de ajuda, o garoto Gum só queria saber de jogar futebol e precisava ser carregado para casa. Até que o sonho falou mais alto e ela apoiou, mas os primeiros passos não foram fáceis.

Aos 14 anos, Gum saiu de casa pela primeira vez. Foi levado pelo empresário para jogar em Marília. Dona Roseli sentiu medo de ver o filho morando sozinho, chorou, mas, mostrou força e ajudou como pôde. No fim, tudo deu certo.

Hoje morando em Marília, Dona Roseli ainda sofre com a distância e só vê Gum nas férias ou nas poucas vezes em que vem ao Rio. Pela TV assiste aos jogos do filho, fica nervosa e até dá conselhos (para o zagueiro ficar mais calmo).

“Conversamos muito por telefone. É duro, sinto saudades, às vezes choro, mas fico feliz por tudo o que ele conquistou. Ele merece. É um filho bom, educado, obediente, não deu muito trabalho. Sempre acreditei nele, mas não imaginava que fosse tão longe. Felicidade grande pelo que conseguiu”, disse Dona Roseli, que tem um pedido simples de presente para o Dia das Mães. “Quero um grande abraço e um beijo.”

Dona Lenice fazia questão de acompanhar todos os jogos do filho nas categorias de base, mesmo que perdesse a roda de samba que tanto gostava. Apesar do apoio, ela não abria mão de uma coisa: educação. E não foi fácil fazer com que Léo Moura — o mais levado dos quatro filhos, segundo ela — priorizasse outra coisa que não fosse o futebol.

“Léo sempre gostou muito de bola. Colocamos na escolinha do Flamengo com nove anos, mas ele não tinha rendimento no colégio, aí o tirei do futebol. Ele era inteligente, só não queria saber de estudo. Escondia as notas baixas. Levou uma coça por isso e não me arrependo. Ele foi o que mais apanhou e essas palmadas fizeram bem”, recorda Dona Lenice.

Dona Lenice acompanhava todos os jogos de Léo Mouraarquivo pessoal

A rigidez com a educação era uma preocupação. Dona Lenice sabia que o futebol era incerto e queria que o filho, criado em uma comunidade na Vila Kennedy, tivesse outra opção. “Quando ele terminou o colégio foi para o Botafogo. Sempre cobrei muito, temos que aproveitar as oportunidades. Não me arrependo da punição (de tirá-lo do futebol) e hoje tenho certeza de que ele me agradece.”

Apesar da preocupação, o futebol foi o futuro de Léo Moura. Se a alegria da mãe pelo sucesso do filho já era grande, ficou maior quando ele foi jogar pelo Flamengo.

“Por eu ser flamenguista, até chorei na estreia dele. Sofro muito, choro, xingo. Agora estou mais afastada do estádio, o coração não aguenta (risos). Discuto com torcedores que o criticam”, revela Dona Lenice, orgulhosa do filho. “É um pai de família atencioso, bom filho, vive para a família e conquistou os objetivos.”

E o presente que Dona Lenice quer hoje? Os rubro-negros também desejam. “Quero a vitória. Se der para o Léo fazer um gol, vou ficar mais feliz.”

Para ela, o que importa no clássico é o árbitro

Acostumada a ter que comemorar datas festivas em outros dias por causa da rotina de trabalho do filho, a mãe do árbitro Wagner do Nascimento Magalhães, Dona Maria Alice do Nascimento, de 54 anos, vai fazer um almoço hoje para comemorar o Dia das Mães com o restante da família e assistir ao clássico na torcida por uma boa arbitragem.

Habituada a ser mãe de juiz de futebol e ouvir os constantes xingamentos, Maria Alice gosta bastante da profissão que o filho escolheu, mas, no início, ficou apreensiva. “É bom ser mãe de árbitro de futebol. Eu gosto, mas eu ficava preocupada. Agora eu nem ligo mais”, explicou.

Ela ainda se lembra do dia em que Wagner decidiu ser árbitro e qual foi sua reação. “Eu fiquei assustada, mas passou. Fiquei muito nervosa no primeiro jogo”, comentou a mãe, que sente frio na barriga até hoje: “Sempre sofro muito nos jogos que ele apita, fico preocupada, com o coração na mão.”

Envolvido com futebol desde pequeno, Wagner sempre jogou ‘pelada’ no campo perto de casa e até quis ser jogador. Sem sucesso, optou seguir pelo caminho da arbitragem.

Apesar de não ir ao estádio e de não torcer por um clube, Maria Alice gosta de futebol e assiste aos jogos. Mesmo acompanhando pela televisão, ela sempre dá palpites nas atuações do filho e garante que ele presta atenção em todas as suas dicas.

“Quando eu tenho oportunidade, sempre dou conselhos e o Wagner sempre escuta. Ele é um filhão”, elogiou Dona Maria Alice, que prefere não prestar atenção aos xingamentos proferidos contra o filho. Para o dia de hoje ela só quer de presente o de sempre: “Que Deus o abençoe cada vez mais.”

Reportagem: Luisa Caruso