França e Nigéria se enfrentam em busca do mesmo ideal na Copa do Mundo

Na ‘capital da esperança’, equipe da Europa aposta nos gols de Benzema para superar os africanos e tornar realidade o sonho das quartas de final da competição internacional

Por O Dia

Brasília - Quando o escritor francês André Malraux chamou Brasília de ‘Capital da esperança’, em 1959, falava sobre a nova cidade, ainda em construção, mas nesta segunda, às 13h, no Mané Garrincha, a sua frase bem que serviria para ilustrar o duelo entre França e Nigéria, que sonham com uma vaga nas quartas de final. Enquanto os africanos querem fazer história, os franceses, depois de chegarem sob desconfiança, estão mais confiantes na luta pelo título com as boas atuações. E a história dos ‘Bleus’ também se confunde com a de Benzema.

Autor do gol da classificação francesa para a Copa, o atacante do Real Madrid sempre recebeu críticas por não conseguir jogar pelo país o mesmo futebol do clube. A resposta veio em seu primeiro Mundial. Além de ter marcado três vezes, Benzema foi escolhido o melhor em campo contra Suíça e Honduras.

Benzema é a esperança de gols da FrançaReuters

Agora, no mata-mata, o atacante tenta confirmar a boa fase e é a esperança de gols dos ‘Bleus’ para continuar surpreendendo nesta Copa. Além de lidar com as cobranças, Benzema precisará saber equilibrar competição e religião.

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Muçulmano, ele respeita o período sagrado do Ramadã, que dura um mês e obriga o jejum da alvorada até o pôr do sol, para purificação. Do lado francês, os atletas muçulmanos poderão seguir no que acreditam. “Cada jogador está livre para se adaptar às suas crenças, não há nenhuma imposição da minha parte. A palavra mais importante é tolerância”, disse o técnico Didier Deschamps, que, apesar da esperança em ir longe, prefere manter os pés no chão: “Ter ambição é muito bom, mas nossa realidade é a de que estamos nas oitavas. Precisamos nos preparar para essa batalha. Depois podemos pensar mais à frente.”

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Pelo outro lado, após bater na trave em 1994 e 1998, a Nigéria volta a disputar as oitavas de final da Copa, com a esperança de fazer história e avançar pela primeira vez. “Se acontecer vou ficar muito feliz, porque os jogadores trabalharam muito duro, sacrificaram-se para estar aqui. Acho que merecem”, disse o técnico Stephen Keshi.

Mikel negou que seleção africana tenha pensado em greveReuters

Mikel nega greve por premiação

A seleção africana é outra, mas o tema principal da coletiva foi o mesmo no Mané Garrincha: premiação. Após Gana, foi a vez de a Nigéria chamar a atenção por não ter realizado um treino, quinta-feira, por causa de atraso no pagamento do bônus. Obi Mikel confirmou que houve uma discussão com a federação, mas negou que tenha havido greve ou um problema maior:

“Houve pequena discussão entre jogadores, o técnico e a federação. Foi um pequeno problema, rapidamente resolvido. Seguimos em frente, estamos concentrados e não acredito que tirará a nossa concentração. Estamos prontos.”

Neste domingo, os jogadores receberam a visita do ministro dos esportes nigeriano e do embaixador no Brasil, mas Mikel negou relação com a premiação. Na última pergunta sobre o tema, o técnico Stephen Keshi brincou com um jornalista do ‘New York Times’: “Você é da CIA?”

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