Criticado internamente, Jayme vive sob pressão no Flamengo

Vitória no domingo contra o Palmeiras dará sobrevida ao treinador no Rubro-Negro

Por O Dia

Rio - Com semblante cansado e abatido, barba por fazer, respostas curtas entrecortadas por pausas para escolher as poucas palavras, Jayme de Almeida deixa transparecer que está sob pressão. Há cinco jogos sem vencer e criticado internamente por suas convicções, o treinador, atual campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Carioca, precisa de uma reação do time no Brasileiro para se manter no cargo. Amanhã, contra o Palmeiras, ele sabe que um resultado negativo pode lhe custar o boné.

“Futebol é resultado. Ganhei três títulos. Repito que tenho consciência do que fiz e represento aqui no clube. Acontece em qualquer lugar. No Atlético-MG, o Paulo Autuori tinha ganho tudo, perdeu um jogo e o mandaram embora. Vou fazer o melhor como tenho feito. Se não vier o resultado faz parte do esporte”, disse, com as barbas de molho.

“Costumo fazer a barba quarta e domingo, antes dos jogos. Como não teve jogo nesta quarta, acabei esquecendo”, explicou treinador, do lado de fora da sala de coletiva, dando um raro sorriso.

Jayme está pressionado no Flamengo Carlos Moraes / Agência O Dia

Jayme tem por hábito blindar os jogadores e se oferece como escudo. Nas derrotas, assume sozinho a responsabilidade. Nesta sexta, questionado se tem cobrado do time coletivamente, respondeu de forma sucinta, como na maioria das perguntas. “A cobrança é normal por vitórias, para jogar bem, essas coisas que têm que ter no Flamengo”, afirmou.

Além dos títulos, pesa a favor do técnico a falta de opções no mercado com salário e perfil compatíveis à filosofia do clube. Mas é consenso entre os dirigentes que, se for para trocar o comando, isto deve ser feito antes da Copa do Mundo. Desde que foi efetivado, Jayme comandou o Fla em 48 jogos — 26 vitórias, 12 empates e dez derrotas, com aproveitamento de 62,5%.

Everton ainda é dúvida

Jayme de Almeida comandou, na sexta, um treino fechado à imprensa no Ninho do Urubu. Mas na entrevista não sonegou informações e expôs sua dúvida. Everton será testado hoje novamente, por causa do problema na coxa direita. Se não puder jogar, entra o argentino Lucas Mugni. Nixon deve ser titular. O técnico também confirmou Luiz Antonio na lateral direita.

Um dos motivos de descontentamento por parte da diretoria com o treinador é o pouco aproveitamento de Lucas Mugni no time. Para alguns dirigentes, o argentino, 22 anos, em fase de adaptação, precisa ter uma sequência de jogos para provar que foi uma boa aposta.

Jayme, no entanto, justifica a escolha de Nixon expondo a sua preocupação com outro problema: a falta de gols — o Flamengo ainda não marcou neste Brasileiro.

“É uma preocupação normal. A gente fez gol o ano todo, mas nos últimos dois não fizemos. A ideia do Nixon é porque ele tem velocidade na frente. Dependendo do treino, vai jogar. Estamos precisando de gol”, afirmou Jayme.

Treinador não vê insatisfação da torcida

No estádio e nas redes sociais, a torcida do Flamengo dá sinais de que a paciência está por um fio. Mas Jayme de Almeida conta com a força da arquibancada, que tanto lhe ajudou na Copa do Brasil e na final do Carioca. Perguntado se tem percebido que a Nação está de birra, o treinador devolveu de bico.

“Não vejo birra. Eu procuro fazer o meu melhor”, disse, para depois mostrar que espera por apoio.

“O Flamengo sem torcida não é o Flamengo. A nossa ideia é que o torcedor compareça e nos incentive. E nós temos que fazer a nossa parte em campo”, afirmou.

Jayme destaca Valdivia como o jogador mais criativo do Palmeiras, mas pede atenção com o time todo. A equipe paulista passa por um momento de instabilidade por ter perdido Alan Kardec, artilheiro do Alviverde na temporada e um dos destaques da campanha vitoriosa na Série B. Márcio Araújo estava no Palmeiras em 2013 e pode servir de espião.

“Para observações individuais. As coletivas são feitas por vídeo", disse Jayme