Saindo de uma fria! Russo encara mais de 11 mil km para viver sonho olímpico

Vladimir saiu da gelada Sibéria para viver o calor carioca

Por O Dia

Rio - O fascínio pela Olimpíada rompe fronteiras, atravessa continentes e supera enormes diferenças culturais e climáticas. Só tanta paixão para justificar a saga vivida pelo russo Vladimir Alyabiev, 37 anos, para ser voluntário nos Jogos do Rio. Nascido na região glacial de Krasnoyarsk, no coração da Sibéria, onde a temperatura atinge os 45 graus negativos, ele percorreu 11.751 km para participar de um dos maiores espetáculos da terra.

Vladimir com os novos amigos da vila%2C em um domingo de sol com churrascoMárcia Vieira

“Peguei um voo de quase cinco horas para Moscou e outro de 13 horas para Abu Dhabi. Depois foram mais 15 horas para São Paulo. E, por fim, encarei mais seis horas de ônibus para chegar ao Rio. Estou tão animado que não fiquei nem cansado”, garante o siberiano, que percorreu uma distância maior do que os 9.714 km da lendária Transiberiana, a ferrovia mais longa do mundo.

Tanta alegria é justificável. Após se apaixonar pelo voluntariado durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, o russo quis repetir a dose com muito estilo.

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“Fiquei tão entusiasmado com essa vivência que pensei em vir para o Brasil. Quando soube que seria no Rio de Janeiro então, uau!”, explica Vladimir, que está adorando a Cidade Maravilhosa. Hospedado em Vila Isabel, aos poucos ele vai entrando no clima carioca. Ontem foi apresentado a um legítimo churrasco e fez novos amigos. Mesmo sem entender o português, se virou muito bem.

Vladimir com a sua anfitriã%2C Norma SpagnuoloMárcia Vieira

“Fiz um grande esforço para estar aqui. É uma viagem muito cara”, afirma Vladimir, lamentando muito que o COI tenha barrado a vinda da equipe de atletismo por suspeita de doping. “Estão tentando manipular a opinião pública usando os esportes. A Rússia sempre ganhou um rio de medalhas. Se querem bater na gente, e sempre querem bater, é preciso lembrar a história. Hitler e Napoleão tentaram e perderam. Façam isso honestamente, sem usar o esporte”, esbravejou o siberiano que não teme atos extremistas no Rio. “Vocês tem terrorismo por aqui? Nunca ouvir falar. O mundo pode até estar pegando fogo, mas o Brasil está fora disso”, garantiu Vladimir, confiante.

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