Bolsa cria novos perfis de corretoras

Corretoras terão que optar por categorias de negociação na BM&FBovespa, podendo ter acesso direto ou não aos seus mercados, com possibilidade de reduzir custos de operação

Por marta.valim

A BMF&Bovespa começa esta semana a adotar o novo modelo de acesso para intermediação de negócios. Com aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), serão criadas duas novas categorias de intermediação — o Participante de Negociação Pleno (PNP) e o Participante de Negociação (PN) — que atuarão de forma diferenciada nos mercados da Bolsa.

A mudança acompanha o início da operação da nova câmara de compensação (clearing) integrada da BM&FBovespa, autorizada semana passada pelo Banco Central, que começa a funcionar na próxima segunda-feira, dia 18, com operações do mercado de derivativos financeiros e de commodities. A clearing integrada vai receber posteriormente as operações dos mercados de ações, câmbio e títulos públicos, que possuem clearings distintas.

No novo modelo de acesso aos negócios da BM&FBovespa, os participantes da categoria PNP terão acesso pleno e direto aos sistemas da Bolsa e precisarão contar com uma infraestrutura completa e própria. Já a categoria PN terá que contratar a estrutura de tecnologia de um PNP para acessar os sistemas da BM&FBovespa. Atualmente existem 73 corretoras de valores em operação, que poderão manter o status atual como negociadoras plenas (PNP) ou migrar para a categoria PN, na qual poderão atuar empresas como distribuidoras, gestoras e bancos.

A vantagem imediata da mudança de uma corretora para a categoria PN será a redução de custos, pois a corretora poderá liberar a garantia de R$ 25 milhões que precisam dispor para intermediar negócios na Bolsa. A expectativa é de que a nova estrutura estimule a consolidação do mercado de corretoras, com novas fusão e aquisições. Independente da categoria, a supervisão de todos os novos Participantes de Negociação será feita pela BM&FBovespa Supervisão de Mercados (BSM), responsável pela autorregulação dos mercados da BM&FBovespa.

Em entrevista na sexta-feira para apresentação dos resultados do segundo trimestre, o diretor-presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, previu que de 10 a 15 corretoras podem se converter para o modelo PN, se beneficiando da liberação da garantia. “A corretora poderá usar esse dinheiro para investir no seu próprio negócio”, disse o executivo, ressaltando que as corretoras que se converterem à categoria de simples negociadoras poderão se juntar para formar uma nova negociadora plena (PNP). O novo modelo começa a valer esta semana, mas só deve estar completamente em funcionamento em janeiro.

O diretor executivo de Operações, Clearing e Depositária da BM&FBovespa, Cícero Vieira, explicou que a mudança se deu em razão do atual sistema ser muito rígido, não favorecer a flexibilização de novos negócios e também colocar todas as corretoras em um único nível de desenvolvimento e prazo. O novo modelo, diz, reconhece os diferentes perfis dos intermediários, preservando os controles e reduzindo exigência de garantias, no modelo antigo muito alta para algumas corretoras. “Não importa que tamanho ou desenho a corretora tenha, a garantia é sempre ‘extra large’”, disse.

Segundo Cícero Vieira, atualmente existem cerca de 300 empresas, entre distribuidoras, bancos e corretoras que não são credenciados na BM&FBovespa. Desses, 20%, 25% operam por conta e ordem", disse.

Ele destacou que o novo modelo permite uma alternativa interessante dos brokers para um modelo de consolidação no plano operacional de forma ampla, mas não no plano societário. “Vários brokers decidem se unir e criar uma PNB e essa empresa maior vai oferecer todo o suporte tecnológico, operacional e de risco de garantia”, ressaltando ainda que cada corretora PN irá preservar a base de clientes. A previsão da BM&FBovespa é de que na primeira etapa de integração das clearings, sejam liberados R$ 20 bilhões em garantias ao mercado.

Ao comentar o resultado da BMF&Bovespa no segundo trimestre, quando lucrou 250,1 milhões, o diretor-presidente Edemir Pinto, disse que é pouco provável que ocorra alguma oferta inicial de ações (IPO) ainda este ano.

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