Dólar sobe 0,86% sobre o real por preocupação com Lava Jato

Investidores reagiram em função da preocupação de que a credibilidade do governo seja ainda mais arranhada pela investigação na Petrobras

Por O Dia

O dólar fechou em alta em relação ao real nesta quinta-feira, reagindo à notícia de que foi impetrado um habeas corpus preventivo na Justiça do Paraná pedindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seja preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A moeda norte-americana subiu 0,86%, a R$ 3,128 na venda, mas chegou a avançar mais de 1 por cento, a R$ 3,133, na máxima da sessão. Segundo dados do BM&F, o volume financeiro ficou em torno de US$ 850 milhões de dólares.

O jornal Folha de S.Paulo publicou mais cedo em seu site a notícia do habeas corpus preventivo pedindo que Lula não seja preso.

O Instituto Lula, por meio da sua assessoria de imprensa, negou que tenha impetrado o habeas corpus, bem como o ex-presidente Lula. Mais tarde, a Justiça informou via comunicado que "não existe investigação em curso relativamente a condutas do excelentíssimo ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva".

Os investidores reagiram em função da preocupação de que a credibilidade do governo seja ainda mais arranhada pela investigação da corrupção em torno da Petrobras, afastando investimentos externos.

"O mercado assustou e, na dúvida, comprou dólar", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

Segundo operadores, a intensidade do movimento também teve motivos técnicos. Muitos operadores haviam vendido dólares no início do dia e foram pegos no contrapé pela escalada súbita do dólar após a compra da divisa, que ativou operações automáticas de compra de divisas para limitar as perdas que esses agentes sofreriam.

Pela manhã, o dólar recuou em relação ao real diante de expectativas de que a perspectiva de alta de juros no Brasil atraia recursos externos para o mercado local.

"O mercado estava em um movimento de baixa (quando a notícia foi publicada). Por isso, a reação foi tão forte", disse o operador de uma gestora de recursos nacional.

A surpresa com a escalada recente da inflação e a comunicação austera do Banco Central têm levado investidores a apostar que a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, pode subir até 14,75%. Ainda assim, dados do BC mostravam saídas líquidas de capital, com fluxo negativo de 2,929 bilhões de dólares em junho até o dia 19.

"O fluxo positivo ainda não apareceu, mas o fato é que o Brasil já paga juros muito atraentes para estrangeiros e isso tende a melhorar se a Selic continuar subindo", disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Os investidores acompanharão com atenção a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) após o fechamento dos negócios, em meio a expectativas sobre eventuais mudanças na meta de inflação para 2017.

Os problemas envolvendo a dívida da Grécia também ocuparam o centro das atenções e provocavam volatilidade nos mercados externos.


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