Marcus Tavares: Aposta de risco no lugar de investimento

Afinal, a Educação não é prioridade dos políticos (seus filhos nem estão lá) e, por consequência, das políticas públicas

Por O Dia

Rio - Você certamente sabe que a Educação Básica (que vai da Educação Infantil ao Ensino Médio) é o investimento que se pode fazer pelo futuro das crianças. Quem tem condições não pensa duas vezes em proporcionar as melhores oportunidades.

O fato é que a grande maioria das famílias não dispõe de recursos e acaba apostando na escola pública. Apostando, infelizmente, é a palavra correta neste contexto. Já há algum tempo, e ainda mais nos dias de hoje, trata-se de uma aposta, que, como tal, pode dar certo ou errado.

Afinal, a Educação não é prioridade dos políticos (seus filhos nem estão lá) e, por consequência, das políticas públicas. Tudo errado. Escola pública é investimento. Não pode ser aposta.

Vejam a situação das escolas públicas do Estado do Rio. Instituições-modelo de inovação, ligadas à Secretaria de Educação, sendo sucateadas com corte de gratificações. Cento e trinta escolas técnicas, que pertencem à Rede Faetec, subordinada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, abandonadas, sem pessoal de apoio, segurança, técnicos e professores com salários atrasados. Se antes a qualidade da Educação pública já era questionada, o que se dirá agora?

Quarta-feira, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou os primeiros dados do Censo 2016. Somente 9,1% e 6,4% dos estudantes do Ensino Fundamental e Médio do país, respectivamente, estudam em horário integral — o que significa sete horas ou mais na escola. Números vergonhosos!

Horário integral é uma necessidade frente ao dia a dia de muitos pais e responsáveis que estão desde cedo no batente. E é um direito. Pois ‘integral’ não diz respeito somente a aprender a ler, escrever, interpretar e fazer operações matemáticas, o que por si só seria excelente.

Porém, é mais do que isso. Envolve competências e habilidades nas áreas artísticas e esportivas, por exemplo. Compreende valores e relacionamentos humanos.

Sabe-se que, quanto mais ‘integral’, melhor e maior será o aprendizado dos estudantes. Mas os governos seguem sem dar condições e oportunidades legítimas, consequentes e duradouras a uma quantidade enorme de crianças e jovens que deveriam ter, por direito, um presente e um futuro mais digno. 

Marcus Tavares é professor e jornalista

Últimas de _legado_Mundo e Ciência