Futuro CEO de divisão da HP enfrentará demanda decrescente por PC

Dion Weisler assumirá a chefia em meio a dificuldades para se defender da concorrência da Apple Inc. e de outras fabricantes de dispositivos móveis e ex-empregadores

Por O Dia

Dion Weisler, da Hewlett-Packard Co., levou para sua casa um computador em desenvolvimento de US$ 1.899 durante vários meses neste ano, brincando com suas funções e contatando engenheiros pela noite e nos fins de semana para discutir formas de melhorá-lo.

Ele terá uma empresa de US$ 55,9 bilhões por ano com que brincar depois, na sua posição de CEO de uma unidade de impressoras e computadores pessoais que será separada da Hewlett-Packard no ano que vem. Um veterano com duas décadas no setor que se uniu à empresa em 2012, Weisler enfrentará uma demanda decrescente por PC, a alta dos preços dos componentes e margens declinantes.

No passado, Weisler trabalhou na Acer Inc. e na Lenovo Group Ltd., que ultrapassou a Hewlett-Packard na participação no mercado de PC no ano passado. Ele assumirá a chefia em meio a dificuldades para se defender da concorrência da Apple Inc. e de outras fabricantes de dispositivos móveis e ex-empregadores. A perspectiva de alguém de fora ajuda, disse Jayson Noland, analista sênior da Robert W. Baird Co.

“Ele não é o típico executivo da HP; está muito mais disposto a se afastar das expectativas gerais para isso”, disse Noland, que possui o equivalente a uma recomendação de compra para as ações da empresa.

Os resultados da Hewlett-Packard no quarto trimestre do seu ano fiscal, cuja publicação está agendada para amanhã, mostrarão o desafio enfrentado por Weisler. Projeta-se que a companhia mostre que as vendas caíram ou mal mudaram pelo terceiro ano consecutivo, segundo a média de estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

PC, impressoras

Projeta-se que os envios de PC declinem 2,3% em 2015 pelo quarto ano consecutivo, segundo a IDC. A unidade de PC da HP sofreu uma queda das vendas superior a 10 por cento, para US$ 32,1 bilhões em 2013, igualando o declínio total do setor naquele ano, e a receita obtida com impressoras caiu 2,6% para US$ 23,9 bilhões.

Após anos de tumulto na gestão e aquisições que não conseguiram engrossar a renda, Weisler conta com produtos como o PC em que trabalhou, chamado Sprout, para revitalizar a receita, junto a impressoras com capacidade para impressões 3D.

Um protótipo do computador, que permite aos usuários escanear objetos em três dimensões e manipulá-los digitalmente, estava na casa de Weisler quando ele questionou aspectos da máquina, como o número de passos necessários para escanear e editar imagens. Quando o produto saiu à venda, tinha sido simplificado graças ao “papel ativo” de Weisler “durante o processo inteiro de desenvolvimento do Sprout”, segundo Louis Kim, vice-presidente de gestão de produtos da Hewlett-Packard.

HP Inc.

Weisler, 47, liderará uma empresa que se chamará HP Inc., ao passo que a outra será a Hewlett-Packard Enterprise, a empresa de consultoria corporativa e hardware que será chefiada pela atual CEO da Hewlett-Packard, Meg Whitman.

Weisler, quem é faixa preta em caratê, estudou Ciências Aplicadas de Computação na Monash University em Melbourne, com foco em sistemas de informação e programação. Após se formar em 1990, ele entrou na Acer como engenheiro e ascendeu pelas filas da empresa até se tornar diretor-gerente da unidade da empresa no Reino Unido.

Depois, ele passou um tempo na Vantage Systems Pty e na Telstra Corp. antes de voltar à fabricação de PC unindo-se à Lenovo em 2007, e trabalhou na Cidade da Cingapura e em Pequim. Na Lenovo, ele trabalhou com Rory Read, quem depois se tornaria CEO da Advanced Micro Devices Inc. Weisler “aprendeu uma quantidade incrível de disciplina operacional” na Lenovo, segundo o chefe de vendas da AMD, John Byrne, quem negociou componentes para PC com Weisler.

Desde 2011, a participação da Hewlett-Packard no mercado de PCs que custam menos de US$ 300 cresceu para 30,1%, frente a 10,3%em 2011, segundo a IDC. A Acer e a Asustek Computer Inc. experimentaram um declínio na sua participação no mercado de PC acessíveis no mesmo período.

“Ele possui um autêntico senso para os detalhes e continua tendo-o hoje, mesmo chefiando uma empresa no ranking Fortune 50 com US$ 60 bilhões de receita”, disse Byrne.

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