Riachuelo perde em vendas com novo perfil

A rede passou a produzir itens básicos na China e acabou perdendo mercado, devido à demora na entrega. Com isso, a empresa só cresceu 1,4% em 2014 nas vendas em lojas abertas há mais de um ano

Por O Dia

Rio - O investimento no perfil de varejista fast fashion — com coleções que seguem a tendência global de moda e têm giro rápido de estoques — e a produção de itens básicos em mercados asiáticos, ocasionando rupturas no abastecimento das lojas no Brasil levou a Guararapes Confecções, controladora da rede varejista de lojas Riachuelo a ter um pífio desempenho de vendas mesmas lojas (vendas em unidades abertas há pelo menos um ano), com crescimento de 1% no quarto trimestre de 2014 e de 1,4% no ano. Resultado bem abaixo de sua principal concorrente, a Renner, que no mesmo período teve crescimento de 17,3% nas vendas mesmas lojas nos três últimos meses do ano passado e de 11,1% em todo o ano de 2014.

Mesmo assim, a Riachuelo fechou o ano de 2014 com receita líquida de R$ 4,7 bilhões, alta de 16,2% ante 2013 e lucro líquido de R$ 480,1 milhões, crescimento de 14,2%. O lucro no quarto trimestre, no entanto, teve queda de 8% ante o mesmo período de 2013, totalizando R$ 191,4 milhões.</CW> De acordo com o CEO da Riachuelo, Flavio Rocha, se fossem consideradas apenas as vendas de produtos de moda, o crescimento em mesmas lojas poderia chegar a 14%.

“Esse é o lado que está crescendo, o de levar tendências de moda, popularizando estas tendências. Mas o que tirou nosso brilho foi o básico, que nos deu em 2013 uma fantástica resposta no loja a loja (o crescimento em 2013 foi de 7,3% em vendas mesmas lojas). No final de 2013, a Guararapes passou a se focar no mundo fashion. Foi o período em que os básicos migraram para Xangai, com um intervalo de até seis meses para entrega, enquanto no segmento de moda o prazo é de dez dias. Essa mudança foi nos levando a perder no loja a loja e tivemos performances de menos 12% e isto nos impôs uma perda. São 300 modelos básicos que precisam estar presentes e sem ruptura”, explica o executivo, que acredita que este ano a empresa terá boa performance no loja a loja.

Ontem, em teleconferência com analistas, Túlio Queiroz — CFO da empresa — atribuiu o resultado baixo nas vendas mesmas lojas a um “desarranjo” por conta de uma estratégia que levou, inclusive, à falta de itens básicos no quatro trimestre de 2014 nas filiais da Riachuelo. Agora, diz ele, o nível de estoques cresceu 38% com a chegada de produtos.“Os atuais estoques são menos perecíveis e neste momento estamos conseguindo resolver os problemas de ruptura que tivemos. O foco da companhia é efetivamente se tornar o primeiro player de fast fashion brasileiro e oferecer uma solução completa para o consumidor, olhando o look como um todo e não as peças isoladamente”, completou o executivo.

No quarto trimestre de 2014, a Guararapes produziu 10,3 milhões de peças ante 9,2 milhões de itens registrados no mesmo período de 2013. Em 2014, a produção totalizou 40,5 milhões de peças, 2,6% acima do registrado no ano anterior. Os produtos Guararapes representaram 33,1% da venda total da Riachuelo no quarto trimestre e 32,7% no acumulado de janeiro a dezembro. A capacidade de produção da Guararapes está, cada vez mais, sendo utilizada para a produção de itens de moda e com maior valor agregado.

Segundo Queiroz, para este ano o plano de expansão da empresa é de abertura de 40 lojas com investimento que varia de R$ 360 milhões a R$ 380 milhões. Outros R$ 140 milhões serão investidos em um centro de distribuição na cidade de Guarulhos (SP) e mais R$ 40 milhões em outros centro de distribuição em Natal (RN). A Riachuelo fechou o ano de 2014 com 257 lojas, sendo 46 próprias e 211 alugadas, tanto em shoppings quanto nas ruas.

Para a analista Daniela Martins, da Concórdia Corretora, a Riachuelo sofreu os impactos de desaceleração do consumo no ano de 2014, com o enfraquecimento dos negócios no período da Copa, sem muita reação nos meses seguintes. Com a redução de estoques nas lojas, o quarto trimestre acabou sofrendo um impacto negativo, disse a analista. Para ela, as empresas que estão buscando novas adaptações de perfis acabam passando por momentos mais complicados, mas com perspectivas boas à frente.

“O ano de 2014 foi difícil para todos. Mas empresas como a Renner tiveram um desempenho muito bom, observando as tendência de moda e segmentando suas marcas. A Riachuelo, que busca um novo nicho que vem agradado ao consumidor, teve que enfrentar também a desaceleração do consumo. Vemos outras concorrentes como a Hering tentando se acertar há cerca de dois anos, agora retomando a marca Dzarm com foco no feminino e investindo na linha infantil, com a Hering Kids. Marisa, que também teve um desempenho ruim em mesmas lojas em 2014, com queda de 0,5% no quatro trimestre e alta de 0,2% no ano, também vem reformulando o básico, mas como tem foco na classe C, sentiu também a desaceleração do consumo”, comenta Daniela.

Na avaliação da analista, o jovem — que é o alvo do mercado fast fashion — é disputado por concorrentes fortes e marcas internacionais que enxergam o país como um mercado potencial de vendas. No entanto, os resultados esperados tanto pela Riachuelo quanto pelas concorrentes em 2015, dependerá muito da retomada da economia. No momento, diz ela, é prematuro prever performances satisfatórias com as perspectivas atuais.

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