Real desvalorizado leva Gol a prejuízo de R$ 1,2 bi em 2014

Receita líquida no ano registrou alta de 12% em relação ao mesmo período de 2013, chegando a R$ 10 bilhões

Por O Dia

A companhia aérea Gol fechou o ano de 2014 com prejuízo de R$ 1,2 bilhão, contra R$ 724,6 milhões em 2013, diferença de 56%. No quarto trimestre, o resultado negativo foi de R$ 631 milhões, ante prejuízo de R$ 19,3 milhões um ano antes. Segundo o presidente da empresa, Paulo Kakinoff, o resultado ruim é atribuído aos efeitos da variação cambial, de R$ 426 milhões, somada aos R$ 443 milhões de perdas com derivativos. A receita líquida da Gol no quarto trimestre ficou estável na comparação com 2013, em R$ 2,729 bilhões. No ano, chegou a R$ 10 bilhões, alta de 12% ante o mesmo período do ano passado. Apesar do prejuízo, Kakinoff afirma que as condições da companhia para enfrentar o que chamou de “inverno rigoroso no nosso cenário macroeconômico nacional” são boas. Em 2015, a Gol estima uma taxa de câmbio média de R$ 3,15 a R$ 2,95.

“Seguimos com um caixa saudável, em R$ 2,5 bilhões, ampliamos nossos destinos regionais e chegamos a 71 destinos no total, sendo 15 deles internacionais. Temos controle do nosso endividamento e todas essas condições nos dão robustez para enfrentar o período que vem pela frente”, afirma Kakinoff.

A Gol afirmou ainda que tem operado ‘mais leve’ do ponto de vista de hedge de petróleo, passando a explorar mais operações de aquisição de combustível a preço fixo com entrega futura com seu principal fornecedor, a Petrobras.

A empresa utiliza contratos derivativos como instrumentos de proteção em suas operações de hedge de combustível, tendo registrado prejuízo maior que o esperado no quarto trimestre por perdas com a liquidação de posições para limitar o impacto de uma desvalorização mais acentuada da commodity no futuro. <CW-9>
Em 2014, a companhia reduziu em 1,7% a sua oferta de assentos no mercado doméstico e aumentou em sete pontos percentuais a taxa de ocupação, chegando a 78%. Uma das metas da empresa para este ano é o mercado internacional, com o direcionamento de novos destinos para países da América do Sul e América Central. O objetivo da Gol é que as receitas internacionais representem 17% do total de vendas até 2017. Hoje, são 12%.

O cliente corporativo, que responde tradicionalmente por 60% a 70% do faturamento na aviação comercial local, é um das preocupações da companhia. Segundo Kakinoff, a demanda corporativa segue fraca nos primeiros meses de 2015, sinais já sentidos desde o segundo semestre de 2014, “com quedas expressivas nos segmentos de óleo e gás, construção civil e mineração”, comenta o presidente da Gol.

No ano passado, a empresa foi responsável por 32% de participação de mercado nas vendas de passagens aéreas para clientes corporativos.  “O segmento corporativo tem uma tarifa média superior e é importante criar condições para que ele cresça. Vamos continuar investindo. Porém, não estamos projetando cenários agora, sem um horizonte de recuperação. Para nós, não basta um aumento da demanda de viagens de lazer, cuja tarifa média é menor e muito pautada em promoções”, acrescentou Kakinoff.

Principal concorrente da Gol, a TAM também vê com atenção a queda na demanda corporativa. “A TAM observa um cenário de incertezas econômicas no país e na aviação desde o segundo semestre de 2014, com inflação em alta e projeções de economia frágil. Esse cenário reflete em forte impacto na demanda de passageiros de negócios”, informou a empresa.

A preocupação das duas maiores companhias aéreas do país reflete o pensamento da indústria de aviação no Brasil. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz, fatores como o câmbio e a situação da economia serão decisivos.

“A partir de agora se inicia uma etapa de maior atenção para o setor, com o desafio da volatilidade do câmbio, que impacta nos custos. Aliado a isso, há o compasso de espera da economia, que altera o comportamento do segmento corporativo, que já teve forte retração durante os dois primeiros meses do ano”, avalia Sanovicz. 

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