Filmes de terror argentinos conquistam mercado

Nossas experiências no gênero ainda são tímidas, como o recente “Isolados”, de Tomás Portella, em um casal, ao buscar sossego numa mansão serrana do Rio, encontra um cenário de pânico, mistério e violência

Por O Dia

Bloody Window” (Janela Sangrenta) é o nome de um evento criado pelos argentinos para promover o cinema de gênero nacional no exterior. No caso, os chamados filmes de terror ou fantásticos. A iniciativa surgiu em 2013 e se repetiu agora, na primeira semana de dezembro, dentro do “Ventana Sur”, maior encontro do mercado audiovisual realizado na América Latina.

Não é o único evento que coloca lente de aumento sobre os filmes voltados para aterrorizar as plateias. Em fins de outubro, ocorreu o BARS (Buenos Aires Rojo Sangre), um festival internacional de cinema de gênero que ocorre há nada mais nada menos do que 15 anos. O interesse do público pelo evento desde então só cresce, assim como o volume de filmes produzidos na Argentina.

A produção chamou a atenção do Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), que por muito tempo ignorou o potencial do cinema de gênero. O Instituto passou não apenas a apoiar de forma significativa o gênero como também tem incentivado a exploração de novos mercados através de programas como o citado “Bloody Window”.

O resultado pode ser percebido nas bilheterias. “Sudor Frío”, de Adrián García Bogliano, por exemplo, ficou 4 semanas em cartaz e levou 80 mil pessoas aos cinemas. Quando exibido na televisão, obteve 4 pontos de audiência, o que significa que o filme foi visto por 400 mil espectadores. São números bastante significativos em se tratando do mercado argentino.

O Brasil Econômico, presente ao Ventana Sur, teve acesso a um desses filmes. “Naturaleza Muerta”, longa de estreia de Gabriel Grieco, é um thriller com os ingredientes típicos das produções norte-americanas. Mas a trama tem uma cor local própria e mostra o trabalho de uma jovem repórter que investiga o desaparecimento de personalidades ligadas à pecuária. Vai dar com um serial killer que não deixa muito a dever ao Jason da série “Sexta-Feira 13” ou ao Freddy Kruegger de “A Hora do Pesadelo”. Ao que tudo indica, pelo final, vem “Naturaleza Muerta 2” por aí.

Apesar do apoio do INCAA e do apelo de público, os filmes de terror ainda enfrentam o preconceito dos investidores privados. Segundo Javier Diment, ator e roteirista de “Making Off Sangriento: Masacre en el Set de Filmación”, a possibilidade de vender acima de 100 mil ingressos não depende do gênero, mas sim da distribuição e do apoio dos canais de tevê a cabo. Ele aproveita para reafirmar a força de seu grupo e diz que o circuito dos filmes de terror que antes eram um gueto agora já se tornou uma ameaça a outros gêneros. Já Gabriel Grieco é mais taxativo: “O que está faltando é aparecer um ‘Relato Selvagens’ do cinema de terror. Uma película que o público e a crítica confiem cegamente e que seja o megaêxito argentino do gênero”. A continuar assim, falta pouco.

O exemplo argentino é mais um a ser olhado com especial atenção pelos brasileiros, sobretudo para os que acham que só comédias ou biografias de famosos podem render algum fruto na bilheteria, o que nem sempre é verdade. Nossas experiências no gênero ainda são tímidas, como o recente “Isolados”, de Tomás Portella, em que Bruno Gagliasso e Regiane Alves vivem um casal que ao buscar sossego numa mansão serrana do Rio de Janeiro acaba encontrando um cenário de pânico, mistério e violência. É muito pouco. Mas é possível que os ventos do país vizinho do sul cheguem por aqui e contagiem nossos cineastas e roteiristas. É bom para o público, que ganha em variedade, e também para o mercado, que pode oxigenar as opções de oferta do produto audiovisual brasileiro.

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