50 tons de money

Em apenas um mês em cartaz, ‘50 tons de cinza’ já praticamente bateu a marca de ‘A culpa é das estrelas’, a maior bilheteria de 2014, também inspirada em um best-seller

Por O Dia

A crise está à solta mas o interesse pelo sexo não deixa a peteca cair. Pelo menos nas telas. Em apenas um mês em cartaz, “50 tons de cinza”, de Sam Taylor-Johnson, já praticamente bateu a marca de "A culpa é das estrelas", de Josh Boone, a maior bilheteria do ano passado, curiosamente também inspirada em um best-seller. São mais de 6 milhões de brasileiros que já conferiram os mistérios guardados no famoso quarto vermelho de Christian Grey. E não vai parar por aí.

“50 tons” estourou também em países como França, Bélgica, Austrália e Filipinas, onde entrou para a história como a maior arrecadação de um filme destinado a maiores de 18 anos. Nos Estados Unidos os números foram estratosféricos. O longa que custou US$ 40 milhões já atingiu até agora US$ 500 milhões.

As razões do sucesso não se devem apenas à inspiração do livro de E. L. James, primeiro de uma trilogia que vendeu mais de 100 milhões de exemplares mundo afora. Uma campanha publicitária internacional, que começou com a distribuição de teasers nas redes sociais e culminou com a estreia internacional numa sessão de gala em Berlim, serviu para criar a ambiência de curiosidade e expectativa que explodiu com a chegada do filme às telas. Todo mundo quer saber o que rola no quarto vermelho.

A grande diferença entre livro e filme está na forma de abordar a tensão sexual entre os dois. E.L. James é mais explícita e em alguns momentos, não muitos, tangencia a pornografia. Já o filme de Sam Taylor-Johnson, e aí uma das razões para se tornar palatável ao grande público, opta pelo caminho da sugestão, de um erotismo que se convencionou nomear “soft”, apesar de salpicado de apetrechos e chibatadas.

Perto de filmes como o recente e polêmico “Ninfomaníaca”, de Lars Von Trier, e do hoje clássico “O último tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci, “50 tons de cinza”, no entanto, não passa de um conto da carochinha. Seu perfil moralista está presente na sedução ligada ao dinheiro e à fama e até na absurda confecção de um contrato entre as partes de dominante e dominada. A tensão sexual precisa de uma justificativa forte, de um acordo entre as partes. Ou seja, está tudo dominado e moralmente, ainda que de forma transversal, compactuado. Resumindo: no romance entre Christian Grey e Anastasia Steele a perversão é apenas um detalhe.

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