Alunos da UFF visitam batalhões da PM e participam do Conselho de Segurança

Alunos de Segurança Pública e Social criaram o Geisp, grupo que une a teoria da sala de aula à prática das ruas

Por O Dia

Niterói - Segurança pública sob o ponto de vista da sociedade e não do Estado é a proposta do bacharelado em Segurança Pública e Social da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). É o primeiro curso do tipo em uma instituição pública de ensino superior brasileira. O objetivo é preparar profissionais para planejar e executar políticas de segurança pública, o que atualmente é feito apenas por policiais.

Alunos de Segurança Pública e Social criaram o Geisp%2C grupo que une a teoria da sala de aula à prática das ruasAlexandre Vieira / Agência O Dia


O idealizador e coordenador do curso, o antropólogo e professor Roberto Kant explica que a meta é mudar a lógica na administração de conflitos, hoje feito basicamente com repressão. “O desafio é conceber uma segurança pública que escape da tutela histórica do Estado sobre a sociedade de forma mais satisfatória para todos, e não apenas para satisfação do Estado”.

Pedro Villa é um dos jovens atraídos pela novidade. Morador da Penha, no Rio, ele está no quarto período e teve a iniciativa de levar o curso para fora da sala de aula. Ele e sete colegas de turma fazem parte do Grupo de Estudos de Inovação em Segurança Pública (Geisp).

Eles participam das reuniões do Conselho de Segurança Pública de Niterói e visitam batalhões da Polícia Militar. O objetivo, explica Villa, é unir a teoria à realidade e encarar a segurança pública como algo além de colocar policiais nas ruas.

O colega Elias Mojon concorda. “Saúde, educação e habitação também são alguns dos assuntos ligados ao tema”, afirma o universitário. Integrante da turma, Alessandra Asevedo informa que os estudantes ajudam, com projetos e pesquisas, na formulação de políticas públicas de segurança. E, otimista,Pedro Villa prevê que, a longo prazo, será possível mudar a atual realidade da segurança que vivemos no país.

O grupo, que se reúne duas vezes por mês, tem ainda Bruna Costa, Bruno Martins, Hugo Vinícius Silva, José Carlos Engel e Renato Magri. Roberto Kant aprova a iniciativa dos universitários, que classifica como de alta relevância. “Espero que tragam a experiência para ser partilhada com colegas e professores, assim como busquem orientação adequada para torná-la o mais frutífera para todos”, recomenda.

O curso de graduação foi criado em 2011 por pesquisadores do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (Ineac). As aulas são na Faculdade de Direito, no Ingá. Mediação de Conflitos, Sociologia, Direito, Ciências Políticas e Antropologia são algumas das disciplinas ensinadas no curso.

Roberto Kant explica que a decisão de criar a graduação surgiu da constatação de que não havia nenhuma instituição universitária pública voltada para formação de profissionais da segurança pública. “As academias de polícia militar, como diz o nome, são militarizadas, e as faculdades de Direito não incluem a pesquisa e o ensino das questões de segurança pública em seus currículos”, lembra ele.

Divididos entre a academia e carreira policial

O grupo de universitários da UFF se forma em dois anos. Sistema Penal, Polícia Militar, Drogas, Juventude e Mídia e Segurança Pública são alguns dos temas já escolhidos por eles para suas monografias.
Alguns pensam em seguir a carreira policial — por exemplo, a de delegado — e outros vão continuar no caminho acadêmico. Entre os temas favoritos, a descriminalização das drogas é de interesse de Bruno Martins. “O assunto é novo e polêmico”, explica.

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