De Olho na Política: Educação é o maior desafio

Não é a primeira vez que se vê um candidato ao Planalto falar de prioridade absoluta à Educação. Mas as palavras voam

Por O Dia

Rio - Como são inspiradas e reconfortantes as promessas de campanha eleitoral. Sem maior dificuldade, os candidatos atrás de votos conseguem tocar nos pontos que mais afligem a população. Sabem onde estão os maiores desafios e, com o auxílio de especialistas, apontam soluções. Neste fim de semana, no lançamento oficial de sua chapa com Marina Silva, foi a vez de Eduardo Campos apresentar os eixos principais de sua plataforma para a Presidência. São seis ao todo e começam pela educação integral para todas as crianças e jovens. Eis as palavras do neto de Miguel Arraes: “Quero assumir um compromisso ao lado de Marina com vocês e ser cobrado ao final de quatro anos. No nosso governo, todas as crianças e jovens do Brasil terão vaga em boa escola pública de período integral”. Diz ele que já fez isso em Pernambuco e também fará pelo país afora.

Não é a primeira vez que se vê um candidato ao Planalto falar de prioridade absoluta à Educação. Mas as palavras voam. Se os discursos tivessem sido postos em prática, a Educação no Brasil já teria deixado de ser um dos eixos de campanha há muito tempo. A esta altura, o setor ostentaria o padrão elevado de outros países e não nos deixaria na rabeira de rankings internacionais.

Até hoje, porém, é assustador o absenteísmo de jovens acima de 14 anos que abandonam os estudos e também é muito baixo o aproveitamento na área de Exatas. Apenas 10% dos jovens têm aproveitamento adequado em matemática ao final do Ensino Médio.

No ranking de 36 países elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil ocupa a penúltima colocação, à frente somente do México. A pesquisa avalia desempenho dos alunos em leitura, matemática e ciência, a média de anos que se passa na escola e a porcentagem da população que cursa o Ensino Superior. Em outro estudo, com 39 países, ficamos à frente apenas da Indonésia.

É elementar, caros leitores. Educação em nosso país só ganha destaque nos períodos de disputa eleitoral. Assim que as urnas se fecham, voltamos à rotina de sempre. E os recursos públicos ganham outro destino. Há mais de 20 anos, afirma-se que o Brasil deveria repetir exatamente o que a Coreia do Sul fez na década de 80 e investir pesado em Educação. Lá, a fórmula deu certo. A Coreia tornou-se forte exportadora de produtos industrializados com marcas famosas, como Samsumg, LG, Hyundai e Kia, que incomodam a concorrência no mundo todo.

No Brasil, enquanto isso, gasta-se muito tempo com debates sobre os gargalos da economia, mas são pouco discutidas as questões que impedem uma educação de qualidade. No máximo, nossos empresários constatam a falta de mão de obra qualificada no mercado.

Se a Educação fosse prioridade para valer, os professores da rede pública trabalhariam apenas numa escola, com dedicação integral. Para isso, teriam que ganhar salários decentes sem ter que complementar a renda. Faltam planos de cargos e salários que tornem a carreira mais atrativa e permitam a melhor formação dos profissionais. Haveria também investimentos na infraestrutura.

Não adianta construir escolas, sem a manutenção permanente. Como dizia Anísio Teixeira, a escola tem que ser um organismo vivo. Só assim os jovens se sentirão motivados a aprender. E a Educação vai avançar no país. De fato, e não apenas nos discursos.

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