Suposta lista de beneficiados por propina inclui 35 políticos

Nomes de acusados de esquema de desvio de recursos da Petrobras teriam sido revelados por ex-diretor

Por O Dia

Rio - A divulgação de partes do depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa à Polícia Federal em Curitiba caiu como uma bomba no cenário político brasileiro, ontem. Com objetivo de obter o benefício da delação premiada, ele disse que a diretoria de Abastecimento e Refino da empresa, que comandou, funcionou como espaço para que políticos de partidos da base aliada do governo federal, como PT, PMDB e PP, desviassem dinheiro de contratos da Petrobras. As informações estão na edição desta semana da revista Veja.

As denúncias foram enviadas ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), e à Procuradoria Geral da República, que vai apurar se elas têm fundamento e podem contribuir na investigação de desvio de recursos da estatal. Essa é a condição para que, no julgamento, sejam concedidos os benefícios da delação premiada. Além disso, Costa deve devolver todos os valores e imóveis obtidos com recursos ilegais.

Preso pela Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef, Costa busca reduzir a pena, se for condenado, ou até conseguir perdão judicial, se provar as acusações.

De acordo com a Veja, Costa falou por mais de 40 horas desde 29 de agosto sobre o suposto esquema de recebimento de propina de 2004 a 2012 — quando foi diretor da estatal. Ele fez uma lista dos beneficiados e citou pelo menos 25 deputados federais, seis senadores, três governadores, um ministro de Estado e três partidos políticos, PT, PMDB e PP.

Em São Paulo%2C Dilma Rousseff disse que é preciso apurar as denúncias%2C mas sem especulação%3B Aécio Neves afirmou estar perplexo com as revelações%3B e Marina defendeu CamposDilma - Divulgação; Marina e Aécio - Ricardo Rímoli

Entre os citados estão o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, do PMDB, e o ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo no mês passado. Costa denunciou ainda os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, e o senador Romero Jucá, todos peemedebistas. Estão na lista o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e os deputados Cândido Vacarezza (PT) e João Pizzolatti (PP) e Mario Negromonte (PP), ex-ministro das Cidades. Também foi citado o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O site do jornal Folha de S. Paulo informou que o número de envolvidos pode ser maior: 12 senadores e 49 deputados. Mas os nomes não foram divulgados.

Costa teria explicado à Polícia Federal que os recursos eram desviados a partir de contratos com empresas que trabalham para a Petrobras. Elas seriam obrigadas a dar 3% dos valores dos contratos para um caixa dois, que tinha como beneficiários partidos da base de sustentação do governo. Os valores não foram divulgados.

Diretor de Pasadena, ele também foi responsável pela obra da refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco, que custou R$ 42,2 bilhões. Segundo a PF, os contratos foram superfaturados, e o dinheiro repassado ao doleiro Alberto Youssef. A expectativa é de que Paulo Roberto Costa continue depondo nas próximas três semanas.

Dilma promete tomar providências

Ao tomar conhecimento da matéria sobre os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, disse que espera informações para tomar providências. “Quero saber direitinho quais são as informações prestadas e asseguro que tomarei as providências cabíveis. Não com base em especulação. Eu quero as informações. Acho que elas são essenciais e são devidas ao governo, porque, caso contrário, a gente não pode tomar medidas efetivas”, afirmou, durante campanha na capital paulista.

A candidata do PSB, Marina Silva, defendeu seu antigo companheiro de chapa, Eduardo Campos. “O fato de haver investimento da Petrobras em seu estado não dá o direito, a quem quer que seja, de colocá-lo (Campos) na lista dos que cometeram irregularidades”, rebateu Marina. Ela disse que os “desmandos” na Petrobras estão “ameaçando o futuro da empresa”.

Aécio Neves (PSDB) disse estar perplexo. “Estamos diante do ‘Mensalão 2’. Dinheiro público utilizado para sustentar um projeto de poder”, criticou ele, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Acusados negam envolvimento

Os políticos citados por Paulo Roberto Costa passaram o sábado negando envolvimento nas ilegalidades denunciadas. O ex-governador do Rio Sérgio Cabral, por meio de sua assessoria, repudiou as acusações e negou recebimento de recursos. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, por nota, disse que nunca integrou esquema ilegal.

O presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Henrique Alves, enfatizou que não foram apresentadas provas. Já o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, disse não ter contato com Paulo Roberto Costa.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) negou ter conhecimento do esquema, e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que seu contato com Costa não envolveu arrecadação. O deputado João Pizzolatti (PP) disse que a acusação não tem provas. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não se pronunciou.

Pezão defende Sérgio Cabral

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição, negou ontem qualquer envolvimento do ex-governador Sérgio Cabral com o esquema de corrupção na Petrobras denunciado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Com o prefeito Eduardo Paes, Pezão fez caminhada de manhã no Calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste.

Pezão defendeu Sérgio Cabral e disse que o contato com Costa era institucional por causa do ComperjCarlos Moraes / Agência O Dia

Ao comentar as denúncias de Costa, o candidato disse que é preciso esperar pelo resultado da investigação do Ministério Público sobre elas. “Vamos apurar com calma. Durante os sete anos e três meses de seu governo, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidenta Dilma Rousseff, nunca vi o governador Cabral pedir um cargo em ministério.”

Segundo Pezão, ele e Cabral mantinham relação institucional com o ex- diretor da Petrobras porque Paulo Roberto Costa era o executivo responsável pelas obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj).

O deputado federal Anthony Garotinho (PR), que também fez ontem campanha no Calçadão de Campo Grande, disse que não ficou surpreso com a citação de Cabral por Paulo Roberto Costa. “Em todas as grandes negociatas do Estado do Rio de Janeiro, o PMDB está envolvido. É um partido corrupto no Rio, como em grande parte do Brasil. Eu já venho falando desse problema há muito tempo”, disse ele.

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