Polícia desbarata quadrilha que vendia vagas de Medicina

Grupo cobrava até R$ 210 mil por ingresso em faculdade mineira. Foram detidos 33

Por O Dia

Belo Horizonte - Trinta e três pessoas foram detidas no domingo em Belo Horizonte suspeitas de envolvimento em um esquema de venda de vagas em escolas de Medicina pela Operação Hemostase II. Segundo investigações da Polícia Civil, a quadrilha cobrava preços de R$ 70 mil a R$ 210 mil de candidatos dispostos a pagar para garantir a vaga na universidade a partir de fraudes a vestibulares e ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

As detenções foram feitas durante as provas do vestibular para a Faculdade de Ciências Médicas, na capital mineira. Dos detidos, 22 são estudantes que estavam fazendo provas e 11 integrantes da quadrilha. Segundo os responsáveis pela operação, que teve a participação do Ministério Público de Minas Gerais, a quadrilha era chefiada por Áureo Moura Ferreira, que mora em Teófilo Otoni, e Carlos Roberto Leite Lobo, empresário de Guarujá, em São Paulo.

Miranda garantiu que todos os fraudadores já foram identificados e serão eliminados do vestibularO Tempo

Com o grupo foram apreendidos cadernos de provas do Enem, gabaritos e comprovantes de depósitos em contas de membros da quadrilha. “Encontramos grande quantidade de materiais que sinalizam para este tipo de fraude”, disse o delegado Jeferson Botelho, que é superintendente de Investigação e Polícia Judiciária de Minas.

As investigações indicaram que a quadrilha contava com médicos residentes e professores que se apresentavam como candidatos para ter acesso às provas. Eles faziam os testes rapidamente e deixavam os locais de prova com as respostas das questões.

Em seguida, as informações eram transmitidas por um sistema eletrônico aos candidatos que pagaram para passar. A tecnologia usada incluía equipamentos modernos e uso de micropontos eletrônicos pelos candidatos. Segundo a polícia, a quadrilha pagou cerca de R$ 200 mil pelo sistema. Até o início da noite desta segunda, detidos continuavam prestando depoimento. A expectativa era de fosse pedida pela polícia a prisão preventiva dos 11 integrantes da quadrilha.

Suspeitos eliminados

A Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais é mantida pela Fundação Educacional Lucas Machado (Fleuma). Ela oferece graduação em Medicina, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Há também especialização e mestrado.

Nesta segunda, o vice-diretor da faculdade, Marcelo Miranda, disse que todos os envolvidos serão excluídos do vestibular. “Eles foram identificados, eliminados e encaminhados às autoridades para responderem pelo crime ou pela tentativa de fraude que cometeram”. disse Miranda.

A operação de domingo foi a segundo do tipo. Em 2013, 11 pessoas foram presas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro por venda de vagas na Operação Hemostase I. O nome se refere a um procedimento médico para conter hemorragia.

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