Nomeação de aliado de Crivella para ministro gera descontentamento no PMDB

George Hilton (PRB-MG) assume a vaga de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) no Ministério do Esporte

Por O Dia

George Hilton é do PRB%2C de Marcelo Crivella%2C adversário do PMDB no RioDivulgação

Brasília - A polêmica troca no Ministério do Esporte, com a indicação do desconhecido George Hilton (PRB-MG) para a vaga de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) a um ano e meio da Olimpíada, fortalece o senador Marcelo Crivella (PRB). E repercute nas relações políticas da presidenta Dilma Rousseff (PT) com o prefeito Eduardo Paes e o governador Luiz Fernando Pezão, ambos do PMDB.

A interpretação de um petista, que pede anonimato, é que o oposicionista Crivella ganha força ao ter acolhida sua sugestão para a área que é a menina dos olhos de Paes e Pezão. Ambos são adversários do senador, que tentou sem sucesso afastar o PRB das administrações locais do PMDB. Segundo o petista, Crivella influenciará a organização dos Jogos.

O governo federal financia algumas das principais obras para a realização da Olimpíada, como a do Complexo de Deodoro, que abrigará 11 modalidades esportivas. Também é responsável pelo custeio de parte do Parque Olímpico e a construção do novo laboratório nacional antidoping. O custo total do evento, até agora, é de R$ 37,6 bilhões.

O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG), candidato à presidência da Câmara, acrescenta que Dilma atingiu outro aliado do prefeito e do governador, o deputado federal e seu adversário a presidente da Casa, Eduardo Cunha. “Ela fortalece o PRB e o PCdoB, e os afasta de vez de Cunha”, analisa.

Exercendo o segundo mandato como deputado federal, Hilton não apresentou nem relatou um único projeto de lei que trate de esportes. Também nunca discursou no plenário da Câmara sobre políticas esportivas, Copa ou Olimpíada.

Ontem, em nota e de forma lacônica, o prefeito Eduardo Paes, que antes defendia a permanência de Aldo Rebelo por entender que “não tem mais tempo para um sujeito se inteirar da história”, afirmou que “a escolha do ministro compete à presidenta”. Político, disse, no entanto, que “respeitamos sua decisão e iremos trabalhar em conjunto para cuidar da Olimpíada”.

Procurado pela reportagem, o senador Marcelo Crivella não foi encontrado para comentar sua indicação a Dilma. Já a assessoria do PRB informou que George Hilton estava viajando e que, no Natal, seria “impossível” encontrá-lo.

Flagrado com R$ 600 mil da Universal

Anunciado na terça-feira ministro do Esporte, Hilton foi flagrado em 2005, no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com R$ 600 mil (R$ 976 mil hoje). O dinheiro estava em caixas de papelão e fora doado por fiéis da Igreja Universal, da qual ele é pastor licenciado. A Polícia Federal o liberou mas, em consequência, acabou expulso do PFL (hoje DEM), seu partido então. Em seu currículo, Hilton se diz teólogo e apresentador de TV.

Dilma fica na Bahia até domingo

A presidenta Dilma Rousseff embarcou ontem para a Bahia, onde ficará até o fim de semana. Ela está na Base Naval de Aratu com a mãe, Dilma Jane, a tia Arilda, a filha, Paula, o genro, Rafael e o neto, Gabriel.

A expectativa é que Dilma volte a Brasília no domingo, para anunciar os nomes que faltam do ministério que assumirá com ela no dia 1%. Ela vai aproveitar os dias na Bahia para descansar e acertar detalhes com políticos do PT e dos partidos da base aliada sobre a indicação de ministros e membros do segundo escalão.

O anúncio de todo o ministério está marcado para a segunda-feira. Até agora, foram confirmados 13 nomes, anuncidos na terça-feira.

A Base Naval de Aratu tem sido o destino de descanso escolhido pela presidenta, que já foi sete vezes para lá. A mais recente foi no fim de outubro, logo após a reeleição. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso também passaram férias e feriados na base que, por ter acesso restrito e ser controlada por militares, lhes garantia privacidade.

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