'Desvios eram impossíveis de serem identificados', declara Gabrielli

Ex-presidente da Petrobras afirmou que 'investigar corrupção não é função empresarial' e negou omissão

Por O Dia

Rio - O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli declarou em depoimento na CPI da Petrobras, nesta quinta-feira, que fez o possível para aumentar a fiscalização na estatal e negou ter havido omissão durante sua gestão.A respeito das delações do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do ex-gerente Pedro Barusco, Gabrielli declarou que os desvios na estatal eram "impossíveis de serem identificados" pois respeitaram os trâmites internos da empresa.

"Minhas relações pessoais com Duque, Barusco e Nestor nunca passaram das reuniões", afirmou o ex-presidente da estatal. "Não é competência empresarial investigar corrupção. Não pode ser atribuída a mim responsabilidade sobre isso", defendeu-se Gabrielli.

Segundo ele, as propinas ocorreram em negociações externas à Petrobras. "Não é possível portanto identificar esses comportamentos nos procedimentos internos da Petrobrás", afirmou, relatando que dois escritórios de direito foram contratados pela empresa para averiguar o caso.

Ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli durante depoimento na Câmara Agência Brasil

Gabrielli também reiterou que não teve participação na escolha dos mesmos. "Quando cheguei na Petrobrás como presidente, em 2005, os diretores já estavam escolhidos", disse.

“O que é público dos depoimentos de Barusco e de Paulo Roberto Costa, é que as comissões funcionavam corretamente. Não há possibilidade de que internamente se captasse essa situação”, afirmou Gabrielli. Ele lembrou ainda que, de acordo com depoimentos dos réus confessos, as negociações eram feitas com as empresas que disputavam as obras, e não havia envolvimento com a comissão de licitação.

Gabrielli disse ainda que o setor de auditoria da empresa foi ampliado “três vezes mais” na última década, com o objetivo de neutralizar qualquer ilícito. Ele explicou que apenas algumas empresas no Brasil têm potencial para construir partes de uma refinaria e que, no rol dessas empresas, há algumas envolvidas no escândalo da Petrobras.

“Para construir uma refinaria inteira, não há nenhuma empresa com essa capacidade. Para construir algumas partes de uma refinaria, existem algumas no Brasil. E algumas dessas estão envolvidas nesse caso.”

Com informações da Agência Brasil 

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