Costa diz que empresas só doam a políticos em troca de vantagens

Em depoimento à CPI da Petrobras, ex-diretor da estatal critica hipocrisia das doações eleitorais

Por O Dia

Rio - Em seu terceiro depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa criticou a “hipocrisia” dos parlamentares que recebem doações eleitorais de empresas. “Não há almoço de graça”, resumiu um dos delatores da Operação Lava Jato. “Não existe doação de empresas que depois essas empresas não queiram recuperar o que foi doado. Se ele doa R$ 5 milhões, ele vai querer recuperar na frente R$ 20 milhões”, emendou.

Costa relacionou nomes de políticos e partidos que teriam se beneficiado do esquema de corrupção da Petrobras; um dos citados foi Renan CalheirosAgência Brasil

No depoimento, Costa afirmou que a Petrobras sabia da existência de um cartel de empreiteiras atuando nos contratos da estatal, mas que nenhuma medida foi tomada para coibi-la. Disse, ainda, que a defasagem no preço da gasolina é um problema muito maior para a Petrobras do que a Lava Jato.

Ele calculou que o “rombo” da Lava Jato é 10% do rombo provocado por essa defasagem, e disse que o governo “arrebentou” com a estatal. “O governo segurou o preço do diesel, o preço da gasolina, e esses valores possivelmente deram rombo de R$ 60 bilhões”, observou.

Costa reafirmou o que já disse em seus depoimentos anteriores e em sua delação premiada. Ele confirmou o financiamento das campanhas do atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e do ex-governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB, com dinheiro do esquema de corrupção. E repetiu sua versão sobre os repasses de dinheiro do esquema de propinas da Petrobrás à campanha de Eduardo Campos (PSB) para o governo de Pernambuco, em 2010, e para o então presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, também em 2010, para evitar os trabalhos da comissão que investigava a estatal na época.

No depoimento, Costa listou políticos que teriam se beneficiado do pagamento de propina. Ele provocou risos na plateia ao tentar se lembrar dos nomes. “São tantos que me fogem os nomes”, argumentou.

“Do PP, começou com José Janene, prosseguiu com o Mário Negromonte e o senador Ciro Nogueira. No PMDB, o senador Renan Calheiros, atual presidente do Senado, Aníbal Gomes, e senador Romero Jucá. (...) Do PT, tive contato com o senador Lindbergh Farias, senador Costa, de Pernambuco”, afirmou.

STF prorroga investigação sobre Cunha na Lava Jato

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem prorrogar por mais dois meses as investigações sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dentro da Operação Lava Jato, por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. No despacho, ele determinou que o inquérito sobre o deputado seja concluído até o dia 29 de junho.

Cunha é suspeito de receber, junto com o PMDB, propina paga por empresas contratadas pela Petrobras. A suspeita surgiu da delação premiada do doleiro Alberto Youssef.

O presidente da Câmara nega qualquer envolvimento no caso, alegando que requerimentos não foram assinados nem propostos por ele e que não foi destinatário de recursos entregues no Rio de Janeiro por um dos empregados de Youssef.

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