De olho na política: Um monumento ao país da gastança

O cidadão comum acostumou-se com as obras que custam bilhões e com os crimes de corrupção que desviam milhões

Por O Dia

Rio - Em plena temporada de vacas magras, amargando cortes de verbas em áreas tão estratégicas como educação e infraestrutura, o Brasil nem parece o mesmo país do ano passado. Meses atrás, essa ainda parecia ser a terra da prosperidade, onde nunca faltaria dinheiro para nada e da qual o mundo todo sentia inveja.

Esse devaneio talvez explique as grandes quantias que envolveram e ainda envolvem qualquer ação do poder público. O cidadão comum acostumou-se com as obras que custam bilhões e com os crimes de corrupção que desviam milhões. Nessa batida, em breve chegaremos aos trilhões.

HÁ EXEMPLOS de sobra desse descontrole, mas um deles, em especial, pode ser classificado de monumento à gastança. Está à vista de quem passa pela Avenida Radial Oeste, no bairro do Maracanã, na Zona Norte do Rio. Não se trata do gigantesco estádio, conhecido sugador de dinheiro cuja reforma custou inacreditáveis R$ 1,3 bilhão. O exemplo do esbanjamento é outro, menor no tamanho e proporcionalmente mais significativo no custo: a passarela que liga a Quinta da Boa Vista à calçada do Maracanã. A peça de concreto custou nada menos que R$ 109 milhões.

FEITA para a Copa do Mundo, a função da passarela durante o torneio foi a de servir exclusivamente aos VIPs que se encaminhavam ao estádio. Hoje, pouca gente passa por aquele valioso espaço. Segundo o governo estadual, além da ligação entre um lado e outro da linha do trem, a obra incluiu a urbanização do entorno, plantação de 122 palmeiras e 203 árvores nativas. Mesmo levando em conta estes acréscimos, o preço da passarela é estratosférico.

A QUANTIA equivale ao mesmo que a Netflix investiu no novo filme de Brad Pitt, ‘War Machine’; representa uma vez e meia o preço do novo jatinho de Roberto Carlos; é quase o dobro de um conjunto habitacional do ‘Minha Casa Minha Vida’, como o que foi implantado no bairro do Estácio, no Rio (cada um com 24 blocos de cinco andares), ao custo de R$ 62 milhões.

A PASSARELA está lá, imponente. Já os cofres públicos, antes abarrotados de dinheiro, agora estão vazios. Aquela peça de concreto talvez ajude a entender os motivos da atual penúria.

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