Na contramão do ajuste fiscal, Câmara decide gastar R$ 400 milhões em obras

Serão construídos novos gabinetes para deputados, garagem, lojas e lanchonetes

Por O Dia

Brasília - Na contramão do ajuste fiscal, a Câmara dos Deputados decidiu ontem gastar R$ 400 milhões de seu caixa para a construção do “Parlashopping”, um complexo de prédios com novos gabinetes de parlamentares, garagem, lojas e restaurantes. Segundo o presidente da Câmara. deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esses recursos são do Orçamento da Casa. As obras devem ser iniciadas em agosto do ano que vem.

Segundo Beto Mansur%2C as obras devem começar em agosto de 2016 Divulgação

“Vamos fazer no tamanho que a Câmara tem de Orçamento. Esse dinheiro pertence à Câmara. Isso está no nosso Orçamento e pertence a gente. É dinheiro da Câmara dos Deputados”, afirmou Cunha, ao rebater as críticas de que a obra contraria os esforços de ajuste fiscal.

O primeiro secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), explicou que a prioridade será a ampliação do Anexo 4 da Câmara para a construção de garagem subterrânea, auditório e novas salas para os deputados trabalharem.

“Nós já iniciamos um processo de construção nosso. Já começamos a autorizar o início da liberação de documentos para o Anexo 4-B e mais cinco andares de garagem subterrânea. Temos previsão de começar a obra em agosto do ano que vem, com dinheiro nosso, de venda da folha de pagamento, que está no Tesouro. São R$ 400 milhões que estão no cofre do governo”, disse Mansur.

Para construir o “Parlashopping”, a direção da Câmara pretendia inicialmente fazer uma parceria com empresas privadas. A ideia era que elas construíssem toda a infraestrutura e explorassem comercialmente o espaço com o aluguel de salas e lojas.

Mas as construtoras não demonstraram interesse em investir nas obras. Daí a decisão da cúpula da Câmara de desembolsar dos cofres públicos o dinheiro para uma das etapas da reforma, prevista para começar em agosto do ano que vem.

HORAS EXTRAS

Além dos gastos com o Parlashopping, a Mesa Diretora resolveu reduzir a economia que previa fazer com o pagamento de horas extras de funcionários que acompanham as sessões noturnas de votação da Câmara. Os deputados haviam decidido restringir para 1.726 a quantidade máxima de servidores e secretários parlamentares que poderiam participar das sessões. Mas a direção da Câmara voltou atrás e aumentou o número de funcionários para até 2.439. Poderão receber horas extras 900 servidores de diferentes departamentos e até 1.539 secretários parlamentares - três por gabinete de deputado.

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