Rodoviários divididos no Rio

Sindicato da categoria faz acordo por 10% de reajuste, mas dissidentes protestam por 40%

Por O Dia

Rio - Cerca de 300 rodoviários do Rio fecharam uma das pistas da Avenida Rio Branco, no Centro, ontem à tarde, por uma hora, em passeata contra o acordo da Rio Ônibus (Associação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio) e o sindicato da categoria. O acerto definiu o reajuste da categoria em 10% e cesta básica de R$ 150 (com R$ 10 pagos pelo trabalhador), sendo o índice retroativo a abril. Os manifestantes querem, porém, 40% de aumento e auxilio alimentação de R$ 400 (sem desconto).

Eles prometem nova manifestação na próxima quarta-feira, às 16h, que seguirá da Central do Brasil a Prefeitura do Rio na Cidade Nova. Ameaçam também entrar em greve na quinta-feira caso não haja uma contraproposta dos patrões.

O ato teve início às 15h na Candelária e terminou por volta das 18h na Cinelândia. O trânsito ficou complicado na Avenida Presidente Vargas, sentido Centro, já que o acesso dos veículos teve que ser feito pelo Avenida Passos. O motorista Hélio Teodoro, líder da comissão de trabalhadores contrária a atuação do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sintraturb-Rio), diz que o acordo foi fechado sem escutar a categoria.

“Não reconhecemos esta proposta. Fizeram uma assembleia sem a presença da maioria trabalhadora. Só ficamos sabendo do acordo com os patrões pelos jornais. Não queremos greve, mas se até quarta-feira não nos procurarem com uma contraproposta, cruzaremos os braços na quinta-feira”, ameaça Teodoro.

“Há sete anos o rodoviário ganhava cinco salários mínimos. Hoje, não chega nem a três. Daqui a pouco vamos receber um salário-mínimo. Os empresários de ônibus ganharam 50% de desconto do IPVA de suas frotas e conseguiram elevar a passagem para R$ 3,00. Portanto, eles têm condições de nos dar um aumento de 40%. Ou pelo menos algo próximo disso”, acrescenta o líder do movimento.

AUMENTO REAL DE 11,6%

Vice-presidente do Sintraturb-Rio, Sebastião José da Silva, nega que a categoria não tenha aprovado o índice em assembleia. “Inclusive o Hélio (Teodoro) esteve na assembleia fazendo esta mesma proposta de 40% que não foi aprovada. Também acho justa, mas hoje não é viável”, afirma Silva.

Ele diz ainda que o aumento real será de 11,6% por ser retroativo a 1º de abril. “A previsão era de reajuste em 1º de junho. Portanto, o rodoviario terá 14 meses com o novo salário. Por isso que no fim será de 11,6% e não 10% o aumento”, esclarece o vice-presidente.

Rio Ônibus diz que manterá acordo com sindicato

Em nota, a Rio Ônibus informou desconhecer oficialmente a possibilidade de greve uma vez que não foi procurada por nenhuma comissão de rodoviários. A entidade afirma que mantem o acordo feito com o Sintraturb-Rio por ele representar cerca de 40 mil profissionais do setor. Diz ainda que a negociação foi protocolada na Delegacia Regional do Trabalho. A Rio Ônibus informa ainda que circulam no município do Rio mais de 8,7 mil coletivos com uma média diária de 100 milhões passageiros.

Com o aumento de 10%, o salário de um motorista de ônibus convencional com jornada de trabalho de sete horas será de R$ 1.957,85; para os que trabalham nos articulados o valor será de R$ 2.349,93 e para os que atuam nos micro ônibus, R$ 1.664,10. Já o cobrador receberá R$ 1080,31. “Com a inflação em torno de 6,15% ao ano, conseguimos reajuste bem maior. Os rodoviários de Porto Alegre fizeram uma paralisação de 12 dias e obtiveram só 7,5%”, pondera o vice-presidente do Sintraturb-Rio, Sebastião Silva.

Indignação com valor baixo da cesta básica e a dupla função de motorista

A cesta básica atual dos rodoviários do Rio é de R$ 120 (sendo que R$ 20 são descontados dos salários). Com o aumento ela vai para R$ 150 (com R$ 10 de desconto em folha). Os manifestantes dizem que o valor é muito baixo e que o justo seria elevar para R$ 400, sem descontos. “O que um pai de família faz com R$ 140 de cesta básica? Não se compra quase nada”, reclama a cobradora Rosângela Reis de Oliveira, de 50 anos.

“Meu salário hoje é de R$ 982,17 e vai para R$ 1.080,31 com 10%. Ou seja, nem R$ 100 de aumento. É muito pouco. Nossas horas extras também não são respeitadas. Eles pagam o que querem”, relata a também cobradora Josilaine Prudente de Lima, de 25. Já o motorista de ônibus Anderson Agripino, de 38, reivindica plano de saúde e o fim da dupla função (motorista/cobrador) imposta pelas empresas de ônibus. “Nossa categoria é muito desvalorizada”, diz o rodoviário.

O presidente do Sintraturb Rio), José Carlos Sacramento, diz que não há como renegociar a questão salarial, mas prometeu defender as reclamações que vieram de rodoviários das empresas Real Auto Ônibus, São Silvestre e Nossa Senhora das Graças,no que se refere as irregularidades. “Queremos resguardar uma jornada de trabalho de sete horas e eliminar a dupla função imposta pelas empresas de ônibus”, diz.

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