Planejar as compras reduz os gastos mensais em até 40%

Dica é de especialistas no momento em que inflação recua, mas ainda se mantém alta

Por thiago.antunes

Rio - Fazer os gastos caberem no salário é cada vez uma tarefa mais difícil, principalmente quando se tem os patamares de inflação atuais. Despesas com alimentação são as que mais pesam no bolso, por isso, exigem mais controle. Segundo especialistas, quem vai ao supermercado sem lista de produtos gasta até 40% mais do que o consumidor que planeja as compras.

Na sexta-feira, o IBGE mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,67%, em abril, mas a alta de 6,28% em doze meses continua bem próxima do teto da meta definida pela equipe econômica do governo em 6,50%. Para o diretor acadêmico da escola de finanças XP Educação, Silvio Paulo Hilgert, o custo de vida é alto se comparado a nações desenvolvidas, mas aceitável em países como o Brasil.

“A inflação não fugiu ao controle, apenas assumiu novo patamar, mas está controlada. O governo tem trabalhado para mantê-la dentro da meta, que é aceitável para um país em desenvolvimento, com nível alto de corrupção e que precisa crescer”, avalia Hilgert.

A maquiadora Fátima Martins dribla a alta de preços indo ao mercado várias vezes na semana. O hábito permite tirar proveito de promoções diárias Carlo Wrede / Agência O Dia

Mesmo quando os salários são reajustados pelos índices inflacionários, o aumento de preços ainda é sentido pelos consumidores, principalmente no caso de financiamentos e empréstimos. Por isso, evitar dívidas é fundamental no momento.

Como a alimentação representa boa parte do orçamento familiar, pequenas mudanças podem gerar economias significativas. A maior dica, segundo Daniel Plá, professor de varejo da Fundação Getulio Vargas (FGV), é evitar compras por impulso. “Quando o consumidor foge da lista de compras, gasta de 30% a 40% a mais”, afirma ele.

Outra forma de driblar os aumentos é substituir alimentos caros por mais baratos. “De um modo geral, supermercados têm os melhores preços, até pela concorrência. Mas nas feiras, por outro lado, é possível pechinchar e comprar produtos mais frescos e com mais qualidade. O ideal é ir no fim do dia, quando é mais barato”, ensina Silvio Hilgert.

Aposentada%2C Marta controla os gastos trocando as marcas dos produtos%2C buscando os menores preçosCarlo Wrede / Agência O Dia

Quando a situação aperta, é comum que as pessoas abram mão do lazer ou se endividem para se divertir. Para o diretor da XP Educação, é preciso separar no começo do mês a quantia destinada a isso. “Um orçamento equilibrado contempla também o lazer. É preciso economizar um pouco em cada área para sobrar dinheiro”, diz. 

Já Daniel Plá aconselha a buscar opções econômicas, como ir ao cinema durante a semana ou nos horários diurnos aos sábados e domingos, quando os ingressos são mais baratos. “É importante ficar atento às promoções”, explica ele.

Mudar de atitude é preciso para equilibrar orçamento

Quando o salário não é suficiente para pagar as contas, é hora de repensar algumas atitudes. “Inflação está diretamente relacionada a disciplina e planejamento financeiro. Se o orçamento está desequilibrado, é preciso cortar gastos. Essa é a solução mais imediata. A longo prazo, é importante pensar em ganhar mais”, afirma Silvio Hilgert.

Algumas medidas podem ajudar a cortar custos, como ir ao trabalho de transporte público, em vez de carro, e contratar uma diarista no lugar de uma empregada doméstica. Para Daniel Plá, em alguns casos é necessário pensar em mudar de casa. “O consumidor deve pensar até que ponto é vantajoso morar em uma casa ou apartamento grande, mas longe do trabalho. Tempo é dinheiro e qualidade de vida. Às vezes é preciso abrir mão de uma coisa, para ter outra”, ensina o professor.

Silvio Hilgert ressalta ainda que economias nas pequenas despesas do dia a dia fazem a diferença, como contas de luz, água, gás e telefone. “Pode ser necessário rever gastos com o pacote de TV por assinatura e refeições fora de casa”, sugere.

Pesquisa

A maquiadora Fátima Martins, 52 anos, vai ao supermercado várias vezes na semana para conseguir o melhor preço. “O único jeito de driblar a inflação é bater perna em vários mercados para aproveitar as promoções. Tem dia que vou em quatro lugares diferentes”, conta ela.

Troca de marca

Já a aposentada Marta Moura, 68, optou por trocar a marca dos alimentos. “Venho substituindo as marcas dos produtos industrializados pelas mais baratas. Assim, economizo”, diz.

Compras à vista

Em mercados populares, como a Saara, vale a pena deixar para fazer compras no fim do mês, quando comerciantes precisam juntar dinheiro para a folha de pagamento. “O ideal é negociar com os próprios comerciantes, que fazem preços mais baixos para pagamentos à vista e em dinheiro”, aconselha Daniel Plá.

Investimentos

A maioria das pessoas espera sobrar algum dinheiro no fim do mês para investir ou aplicar. Mas, segundo Silvio Hilgert, isso tem que fazer parte do planejamento das famílias. “É preciso separar no início do mês quantia para investir. O segredo para ter vida financeira saudável é nunca viver com aquilo que se ganha e, principalmente, com mais do que se ganha. É ter sempre folga no orçamento”.

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