Desafio para 2015: A conta de luz

Tarifa será variável. Usuários têm que se preparar para a mudança

Por O Dia

Rio - A partir de janeiro, a conta de luz do carioca pode encarecer de 4,9% a 9,1%, segundo a assessoria Simple Energy, especializada em energia. A mudança se deve ao sistema de bandeiras tarifárias, que entrará em vigor no ano que vem.

As bandeiras vão substituir o modelo de reajuste anual da tarifa. Atualmente, o preço sobe uma vez ao ano. No novo sistema, as distribuidoras vão repassar mês a mês para o consumidor o aumento de custo com a geração, de forma que a tarifa será variável durante o ano.

A família Caffaro gasta cerca de R%24500 mensais com a conta de energia Ernesto Carriço / Agência O Dia

Como o Brasil depende da energia hidrelétrica, quando o volume dos reservatórios é insuficiente, as distribuidoras compram energia térmica, onerando o preço do produto. Em resumo: quanto menos água nos reservatórios, mais caro o consumidor pagará.

A conta será definida de acordo com três bandeiras. A verde indica que não haverá alteração na tarifa. Nos meses de bandeira amarela, o acréscimo será de R$ 1,50 para cada 100 kwh consumidos. Quando a bandeira estiver vermelha, a alta ficará em R$ 3 a cada 100 kwh.

De acordo com a projeção feita para O DIA pela Simple Energy, uma família que consome 200 kwh por mês paga R$ 99,62 para a Light atualmente. Em meses de bandeira amarela, este valor passará para R$ 104,16, um aumento de 4,9%. Na bandeira vermelha, o aumento será de 9,1% chegando a R$ 108,71 na alteração.

O diretor da empresa, Ricardo Matos, acredita que não haverá prejuízo para o consumidor, apenas uma antecipação do reajuste. “Não há um custo adicional na conta. É um repasse quase online em que o usuário poderá refletir se vai gastar mais ou menos durante o mês.”

A iluminação dos quartos dos irmãos Bernardo e Paula Caffaro é feita por luminárias próximas aos computadoresErnesto Carriço / Agência O Dia

Apesar da mudança já estar sendo informada nas contas de luz dos cariocas, a maioria dos consumidores ainda não sabe do novo sistema (justiça seja feita, o aviso colocado na conta da Light tem letras miúdas e não é nada chamativo).

“Não conheço ninguém que está sabendo disso, mas a gente sempre desconfia que com essas medidas a conta vá ficar mais cara”, afirma o dentista André Caffaro, 47, morador da Tijuca. A família gasta cerca de R$ 500 com a conta de energia. André admite que na casa existem desperdícios que podem ser evitados.

A filha Paula, 13, e a esposa Anna Carla, 46, costumam deixar as luzes acesas. Já o filho Bernardo, 18, assume que o mau hábito fica na cozinha. “Tenho o costume de abrir a geladeira várias vezes à toa”, afirma.

Primeiro semestre de 2014 foi de bandeiras vermelhas

Se o sistema de bandeiras tivesse sido adotado no início do ano, como foi programado inicialmente pelo governo, o consumidor teria aumento no valor da conta durante todo o primeiro semestre. Com a escassez de chuvas no verão, em janeiro o sistema operou com a bandeira amarela. Entre fevereiro e junho, vigorou a bandeira vermelha.

A adoção do sistema divide opiniões entre especialistas do setor. Para o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ Guilherme de Azevedo Dantas a medida é positiva e já deveria ter sido implementada. Ele afirma que o repasse de custos imediatos ao consumidor vai trazer uma maior consciência sobre os gastos de produção.

A médica Anna Carla usa um iPad. Segundo o engenheiro Antônio Raad%2C da Light%2C é preciso ter atenção para os aparelhos portáteisErnesto Carriço / Agência O Dia

“Quando o custo está muito alto, o consumidor não recebe nenhum sinal para economizar energia. Ele só vai saber deste impacto no momento do reajuste, quando este custo já pode ter baixado”, afirma.

Diretor da Simple Energy, Ricardo Matos também considera a mudança benéfica. Ele afirma que o repasse dos custos em tempo real favorece o controle do fluxo de caixa das empresas. “Hoje em dia as distribuidoras têm problemas fortíssimos com fluxo de caixa pois elas só recebem o ressarcimento pelo aumento dos custos no ano seguinte.”

Roberto Pereira D’Araújo, diretor da ONG Ilumina, é um crítico ferrenho do sistema. Para ele, o governo quer repassar para os consumidores os problemas de gestão das distribuidoras.
“De 1995 a 2012, a tarifa teve 80% de aumento real. É inacreditável que um país que já tem a tarifa alta queira adotar esta medida”, afirma.

Dicas evitam o desperdício de energia em casa

NA COZINHA
A geladeira e o freezer devem ser instalados longe de fontes de calor. O ideal é deixá-los fora do sol e longe do fogão. “A geladeira também não pode ficar colada na parede. É necessária uma distância de pelo menos 15 centímetros”, afirma o engenheiro Antonio Raad, da Light. A vedação da geladeira deve ser observada. Há um teste para verificar a vedação: coloque uma folha no vão da porta e puxe o papel. Se sair facilmente é sinal de vedação em mal estado.

NA SALA
Assista à televisão junto com a família. Desligue a TV, rádios e vídeo games quando ninguém estiver usando. Evite deixar aparelhos em stand by.

NA ÁREA DE SERVIÇO
Ao lavar e passar roupas, o melhor é juntar uma grande quantidade de peças. A quantidade de sabão deve ser controlada para evitar a repetição do enxágue.

NO VERÃO
O consumo dos ventiladores aumenta de acordo com o diâmetro das hélices. O ar-condicionado deve ser usado sempre em ambientes fechados e a vedação ao redor deles precisa ser conferida e a potência ser adequada ao tamanho do ambiente.

NO BANHO
Evite banhos demorados e desligue a torneira do chuveiro elétrico ao ensaboar-se.

SELO
A Light recomenda que sejam comprados produtos com o Selo Procel de economia de energia. “Esse selo garante uma eficiência energética até 30% superior aos aparelhos comuns”, afirma Raad. Segundo o engenheiro, mesmo que haja uma pequena diferença no preço, vale a pena optar pelo mais econômico. Também deve ser verificada a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, feita pelo Inmetro. Ela avalia o gasto de energia de vários produtos com notas de A a G. Os aparelhos com a nota A são mais econômicos.

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