Grandes grupos de laboratórios do país travam guerra pelo consumidor

Quem ganha é o cliente, com maior tecnologia e preços promocionais

Por O Dia

Rio - Na disputa pelo mercado entre dois dos maiores grupos de laboratórios de análises clínicas do país, quem ganha é o consumidor. No Rio, o grupo Fleury tem como carro-chefe a rede Labs D’Or, além da A+ Medicina Diagnóstica, Clínica Luiz Felippe Mattoso e Clínica Radiológica Menezes da Costa. A Dasa, por sua vez, comanda marcas como Bronstein, CDPI, Lâmina e Sérgio Franco. O aumento da renda da população fez crescer a procura por esse tipo de serviço e acirrou ainda mais a concorrência. Com isso, o investimento em novas tecnologias e em facilidades para os clientes se torna cada vez mais necessário.

Dois dos grandes grupos de laboratórios travam guerra pelo consumidorArte O Dia

Diretor de negócios do Bronstein Medicina Diagnóstica, Ricardo Mello explica que em função desse novo público a rede de laboratórios criou o programa Bronstein Popular, que oferece preços entre 39% e 76% mais baixos do que os praticados pelo mercado. “Existe um crescimento importante da classe C que vai além da cobertura dos planos de saúde. Hoje em dia, essas pessoas têm maior disponibilidade financeira e se preocupam mais com a saúde. Por isso, buscam serviços de qualidade, mas com preço acessível”, avalia. Segundo ele, qualquer cliente que não tenha plano pode participar do programa. Além disso, os maiores descontos são oferecidos em bairros com moradores com menor poder aquisitivo.

Para Mônica Freire, diretora-médica do laboratório Sérgio Franco, o mercado aberto é mais saudável, tanto para a empresa, quanto para o consumidor. Entre as iniciativas da rede para enfrentar a concorrência estão o investimento em ambiente que favoreça a privacidade dos pacientes e em equipamentos.

“Ampliamos a oferta de um aparelho que permite a localização das veias antes da introdução da agulha para fazer exame de sangue, por exemplo. É muito importante para pessoas com veias finas ou pele mais escura, em que fica mais difícil encontrar as veias”, conta ela.

Outro destaque é a esteira de automação, que evita a manipulação humana em cerca de 70% dos exames. De acordo com Mônica, a interpretação médica é mantida, “mas sem a necessidade de expor os funcionários às amostras. Isso reduz a possibilidade de contaminação e garante mais segurança no resultado do exame”.

Já o grupo Fleury informou, por meio da assessoria de imprensa, que tem investido em capacitação e na ampliação do portfólio de serviços, além da unificação da área técnica.

Diretor médico da CDPI, do grupo Dasa, Emerson Gasparetto ressalta que o mercado de laboratórios está em expansão e que há uma tendência à fusão de empresas. “Para o consumidor é positivo porque empresas maiores conseguem investir mais. Por outro lado, tendem a ser mais burocráticas”, pondera ele.

Laboratórios investem em equipamentos e pesquisa Divulgação

Exames podem ser agendados de casa

A facilidade para agendar exames é um recurso que tem sido usado tanto por médicos, quanto por laboratórios para ganhar pontos com os pacientes. Em alguns consultórios, por exemplo, a própria secretária marca o dia do exame. Além de economizar o tempo do cliente, permite que a clínica faça parcerias com laboratórios.
De um modo geral, apenas o serviço de diagnóstico por imagem precisa ser agendado. Atualmente, isso pode ser feito em casa por meio de centrais de atendimento telefônico. Já análises clínicas, como exames de sangue e urina, normalmente podem ser feitas no mesmo dia.
Além disso, cada vez mais a internet é uma ferramenta usada para facilitar a vida do paciente. No site da Labs D’or, é possível fazer um pré-agendamento dos exames. O cliente deve informar seus dados e em até 48 horas receberá uma ligação dos atendentes para marcar o dia. Segundo o diretor de negócios da Bronstein, Ricardo Mello, o laboratório também pretende implantar esse serviço em breve.
O resultado dos exames, por sua vez, já pode ser conferido no site dos laboratórios dos grupos Dasa e Fleury. Basta informar o código e senha recebidos no dia da coleta.

Redes brigam para ter mais credibilidade

Parte importante do sucesso dos laboratórios de análises clínicas se deve à credibilidade adquirida na comunidade médica e científica. Por isso, a participação em congressos e simpósios é fundamental. “Temos investido muito na diferenciação científica da equipe, com qualificação da mão de obra”, conta Mônica Freire, diretora-médica do laboratório Sérgio Franco. Segundo ela, a cada ano a empresa leva cerca de 50 profissionais para um congresso de análises clínicas nos Estados Unidos.
Já Emerson Gasparetto, diretor-médico da CDPI, afirma que o foco do laboratório é na inovação e na tecnologia. “Investimos recentemente cerca de R$ 4 milhões em uma máquina de tomografia computadorizada de 320 canais, que consegue examinar o coração com uma dose baixa de radiação e ter a imagem do órgão inteiro. Com isso, oferecemos ao cliente o que há de melhor. Mas o outro lado é que quando adquirimos essas tecnologias, acabamos fazendo pesquisas. Nem sempre conseguimos retorno financeiro, mas vale pelo reconhecimento da comunidade médica, que é quem pede o exame. Também costumamos chamar os médicos que são referência na área para testar os equipamentos”.

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