Para ver a Copa na Rússia é preciso juntar R$ 600 por mês

Torcedor deve comprar dólares ou abrir caderneta de poupança para juntar dinheiro até 2018

Por O Dia

Rio - A Copa ainda está na boca dos brasileiros, mas há torcedores que já fazem planos para o próximo Mundial, em 2018 na Rússia. Um levantamento feito à pedido do DIA mostra que o interessado em acompanhar a competição de perto deve começar a economizar agora pelo menos R$ 600 por mês. É o que pensa em fazer a administradora de empresas Márcia Sampaio, 33 anos.

Auxiliar administrativa%2C Márcia Sampaio já estuda economizar para ter recursos e ir ao Mundial de 2108Fabio Gonçalves / Agência O Dia

“Eu viajo todo o ano, mas não conheço a Rússia. Agora tenho um motivo para ir”, disse a cliente, que ontem estava em uma agência de turismo à procura de passagens para um cruzeiro pelo Brasil. Para ela, poupar para viajar é um investimento. “Vale a pena economizar. Mesmo que não assista aos jogos nos estádios, a viagem já é um grande prêmio, porque você absorve cultura do país visitado”, pondera Márcia.

UM CARRO POPULAR

O valor total da poupança feita pelo torcedor é o equivalente a um carro popular, como mostra o levantamento feito pelo economista Gilberto Braga, do Ibmec-RJ, feito à pedido da reportagem.<

“Considerando também a parte área, o pacote fica em torno de R$ 28 mil. Logo a pessoa deve poupar todo o mês R$ 583,99 ou comprar dólares com esse valor”, contabiliza o economista.

O cálculo considera o período de 7 noites, que custa 1,8 mil euros por pessoa (R$5,4 mil), levando em conta hospedagem em quarto duplo, alimentação completa (café da manhã, almoço e jantar inclusos), viagens internas em trem e deslocamentos do hotel para as estações de trem e passeios em todas as cidades.

Além da hospedagem e o deslocamento interno, também foi calculado o preço da passagem aérea de ida e volta entre Rio e Moscou, que está em média R$ 3,5 mil, por pessoa. Um dia na Rússia, diz Braga, pode sair por R$ 817,71 (considerando o câmbio a R$ 3,18), incluindo ingressos nas atrações e pontos turísticos.

Uma forma de poupar é transformar o valor para dólar e calcular o quanto uma pessoa deve comprar todo mês em moeda norte-americana. “Logo, o valor em reais pode mudar quando o câmbio se alterar, mantendo-se fixo somente o valor em dólar”, explica.

Outra forma de guardar dinheiro é abrir uma poupança, que tem como premissa que o valor não vai mudar e o rendimento mensal será de 0,6%. “O depósito mensal deve ser em torno de R$ 440”, aponta o professor.

O economista, porém, faz um alerta: “O problema da poupança é que o valor futuro do pacote pode alterar em função da variação cambial, hipótese em que será necessário ajustar com diferença no depósito ao longo dos meses”, ensina.

No cálculo para mais de uma pessoa basta multiplicar pela quantidade de viajantes. Para o economista, o valor do pacote pode ser menor, caso os locais dos jogos sejam próximos.

“Mas pelo que pude verificar, a Copa lá deve ser muito semelhante a do Brasil, com deslocamentos longos entre as cidades sedes”, analisa.

Turistas injetam R$ 30 bi na economia

As centenas de milhares de turistas que passaram pelo Brasil durante os jogos da Copa do Mundo deixaram sua contribuição para o país. Segundo estimativa do Ministério do Turismo, o Mundial de futebol terá um impacto de R$ 30 bilhões, girando na economia. O valor corresponde a 0,7% do PIB, o conjunto de riquezas produzidas, em 2013.

O levantamento da pasta foi feito com base em estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sobre a Copa das Confederações do ano passado, também disputada no país.

Segundo a pesquisa, o torneio promovido em 2013 movimentou R$ 20,7 bilhões, sendo R$ 11 bilhões referentes a gastos de turistas, do Comitê Organizador Local e de investimentos privados e públicos e outros R$ 9,7 bilhões como renda acrescentada ao PIB.

O estudo sobre a Copa das Confederações avaliou os impactos iniciais, diretos, indiretos e induzidos na economia.

O ministério já estimava, então, que a Copa do Mundo deste ano deveria gerar renda três vezes maior que esse valor, ou quase R$ 30 bilhões.

PACOTES

Na operadora CVC, o pacote para a capital Moscou com oito dias e sete noites sai a partir de US$ 3,6 mil (R$ 8mil). Inclui passagem aérea em classe econômica, hospedagem em três hotéis com três refeições em cada e circuito em ônibus com entrada em pontos turísticos.

Na MGM, o valor do pacote sai a partir de US$ 2.490 (R$ 5.520,33), mais as taxas, incluindo três noites em Moscou, uma noite em trem noturno de Moscou a São Petersburgo e três noites em São Petersburgo. Há assistência telefônica 24 horas, ônibus turístico e guia em espanhol.

Na New Line Operadora, cinco noites de Moscou sai a US$ 3.289 (R$ 7.291,71), e inclui passagem aérea de ida e volta em classe econômica, hospedagem com café da manhã, city tour pelos principais atrativos da cidade e seguro viagem.

MAIS INFORMAÇÕES

Brasileiros que viajam a turismo para a Rússia por um período máximo de 90 dias não necessitam de visto para a entrada no país. Além de documentos de identificação, é preciso apenas o passaporte, com validade mínima de seis meses.

A moeda russa é o rublo (R$ 1 vale aproximadamente 16 rublos). O câmbio pode ser efetuado em bancos e nos principais hotéis. Algumas lojas aceitam euros ou dólares, mas a maioria, incluindo restaurantes, aceita o pagamento somente em rublos ou com cartões de crédito.

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