4G rende R$ 5,8 bilhões

Valor é menor do que o governo federal esperava arrecadar pelo leilão da nova faixa de banda larga. Claro, TIM e Vivo ficaram com os principais lotes nacionais

Por O Dia

Rio - O governo federal arrecadou R$ 5,85 bilhões, abaixo dos R$8 bilhões previstos caso todos os lotes oferecidos fossem arrematados, com o leilão da rede de 4G, promovido ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Foram colocados à venda seis pedaços da faixa de frequência de 700 MHz (megahertz).

Edital fixava o mínimo para venda por cada um dos lotes. A soma dos seis preços mínimos era R$ 7,7 bilhões. O governo conta com esse dinheiro para reforçar o caixa em um momento de queda de arrecadação de impostos e risco de não cumprir a economia a que se comprometeu para pagar dívidas, o chamado superávit primário.

Quatro empresas — Claro, Algar (CTBC), Telefônica Vivo e TIM — participaram da disputa. Elas foram as únicas a entregar propostas,em 23 de setembro. No mesmo dia, a Oi surpreendeu ao informar que havia desistido do leilão. A Nextel também optou por não disputar.

As principais operadoras dividiram os três lotes nacionais. A Claro apresentou a maior oferta (R$ 1,947 bilhão), ágio de 1% em relação ao mínimo exigido pelo governo (R$ 1,927 bilhão) e levou o primeiro pedaço. “A aquisição da frequência nos permitirá manter o compromisso em oferecer a melhor experiência em serviços de telecomunicações do país”, disse Carlos Zenteno, presidente da operadora.

Já a TIM obteve o segundo lote nacional. A empresa ofereceu R$ 1,947 bilhão, ágio de 1% em relação ao mínimo exigido (R$ 1,927 bilhão). “A frequência é muito importante para a ampliação da rede de dados móveis oferecendo uma qualidade de navegação ainda melhor na quarta geração, e permitindo que o serviço chegue a um maior número de usuários”, afirmou Rodrigo Abreu, presidente da TIM.

Vivo compra terceiro grupo das ofertas

Como previsto, a Vivo ficou com o terceiro lote do serviço de 4G. A empresa ofereceu proposta de R$1,927 bilhão, mínimo exigido no edital. “Com a aquisição de hoje, a Telefônica Vivo atinge seu objetivo de garantir o espectro necessário à expansão do serviço de 4G a médio e longo prazos, atendendo assim à crescente demanda por acesso móvel à web em alta velocidade”, afirmou Antonio Carlos Valente, presidente da operadora.

A Algar arrematou o lote 5 — regional com 87 municípios do interior de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A proposta foi de R$29,567 milhões, R$7 mil acima do valor mínimo exigido no edital por esse lote (R$29,560 milhões).

Os lotes 4 e 6, que não foram arrematados por falta de interesse, traziam atrelados obrigação de investimento de, respectivamente, de R$ 887,6 milhões e R$ 2,5 milhões, na limpeza da faixa.

Banda de alta capacidade

A faixa de 700 MHz vai complementar a de 2,5 giga-hertz (GHz), leiloada em junho de 2012, também para a tecnologia 4G. Enquanto a frequência de 2,5 GHz tem mais capacidade e raio de cobertura menor, a de 700 MHz tem abrangência maior e necessita de menos antenas, além de ser usada por diversos países, como os Estados Unidos e a Argentina.

Segundo a Anatel, com o uso da faixa de 700 MHz, será possível levar telefonia móvel de quarta geração e internet em banda larga de alta capacidade às áreas rurais, a um custo operacional mais baixo, uma vez que essa faixa é ideal para a cobertura de grandes distâncias.

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