Pesquisar reduz gastos com comida em até R$ 157 ao mês

Diferença entre o mesmo produto chega a 187% nos supermercados, segundo a Proteste

Por O Dia

Rio - Está cada vez mais caro colocar comida na mesa dos brasileiros. Com os preços dos alimentos aquecidos — confirmando a tendência de alta da inflação para esse grupo — a saída é pesquisar e comparar os encartes dos supermercados em busca das melhores ofertas. Levantamento da Proteste (Associação dos Consumidores) divulgado ontem mostra que é possível economizar até R$1.888,33 por ano no Rio — cerca de R$ 157 por mês — se o consumidor souber onde comprar.

A aposentada Maria de Jesus%2C 74%2C substitui os alimentos mais caros por aqueles com o menor preçoJoão Laet / Agência O Dia

Quem procura, consegue preços consideravelmente mais baixos até mesmo em produtos da mesma marca. No Rio, a entidade constatou, por exemplo, diferença de 184% no valor do ketchup Hellmann’s, encontrado a R$ 2,99 em um local e por R$ 8,49 em outro. A mesma variação foi percebida para o queijo minas frescal Polengui Frescatino. O produto custava R$ 4,49 em um ponto de venda e R$ 12,75, em outro, segundo a pesquisa.

Muitas vezes, a busca pelo melhor preço requer que o consumidor se desloque para outras regiões da cidade. A economia encontrada pela Proteste, por exemplo, é relativa a uma cesta com 90 itens sem marca definida comprada no Atacadão da Avenida Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio, em vez de um supermercado na Rua Marques de Abrantes, no Flamengo, Zona Sul da cidade.

Daniel de Plá, professor de Varejo do MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que os valores variam muito entre cada região, em função dos aluguéis. “O aluguel de um imóvel na Zona Sul chega a ser até dez vezes mais alto que na Zona Norte. Isso se reflete nos preços finais dos produtos”, afirma.

Segundo ele, muitos moradores de comunidades na Zona Sul — como Cantagalo, Rocinha e Santa Marta, por exemplo — optam por fazer compras em supermercados de outras regiões para economizar. “O pessoal faz um mutirão, aluga uma Kombi e consegue economias relevantes. Mas só vale a pena fazer isso se for uma compra grande”, explica Plá.

A doméstica Lúcia de Fátima, 52 anos, explica como faz para driblar a alta nos preços. “Tudo no mercado está caro, principalmente na parte de feira e carnes. A saída é pesquisar e aproveitar as promoções. Também estou substituindo alguns alimentos”, conta ela.

Para Daniel de Plá, outra saída é optar pelos supermercados que só aceitam pagamentos à vista: “Os estabelecimentos que usam cartão têm custos elevados. Escolher marcas mais baratas e evitar compras por impulso ajudam a gastar menos”.

Dólar deve ir a R$ 2,70 no ano que vem

Quem está adiando viagens e compras internacionais por contado alto preço do dólar terá que esperar muito até que a moeda volte a ficar atrativa. Analistas de instituições financeiras estimam que a divisa chegará a R$ 2,70 em 2015. A previsão está na pesquisa Focus divulgada ontem. Na segunda-feira, o dólar fechou em R$2,61 na Bovespa.

No levantamento, feito semanalmente, os economistas também aumentaram a projeção para a inflação em 2015, de 6,49%, semana passada, para 6,50%. O valor está no teto da meta estipulada pelo governo. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) decaiu, passando de 0,77% para 0,73% em uma semana.

A pesquisa mostra alteração na expectativa do comportamento da taxa Selic. Até a semana passada, especialistas acreditaram que ela chegaria a 12% ao ano em 2015. Nesta semana, eles subiram a previsão para 12,50% ao ano. Na semana passada, o Banco Central aumentou a taxa a 11,75% ao ano.

Grupo de alimentação foi o que mais contribuiu para a alta na semana

O grupo Alimentação foi o que mais contribuiu para a elevação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgado ontem. A taxa teve variação de 0,77%, 0,12 ponto percentual acima da semana anterior. Sendo que o grupo responsável pelas despesas com alimentos registrou alta de 0,65% para 0,88%.

Nesta classe de despesa, vale destacar o comportamento do item hortaliças e legumes, cuja taxa passou de 10,67% para 13,12%. A batata inglesa, que havia subido 58,8% no mês passado, teve variação de 52,3% no índice de dezembro.

Para André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, esses produtos estão em alta em razão da sazonalidade.

“Os produtos encontrados em feira livre têm muita margem para subir. Com o clima quente, a colheita fica prejudicada e, consequentemente, o preço aumenta. Como estamos em estiagem, a carne bovina também deve ficar mais cara nos próximos meses”, avalia.

Segundo ele, a saída é substituir os itens com preços mais altos por similares com valores menores. “Em época de Natal, a carne de frango vende mais, então os preços precisam se manter competitivos”, explica.

A aposentada Maria de Jesus, 74 anos, já colocou a dica em prática. Para economizar, ela evita receitas que contenham os alimentos mais caros.

“Reparei a maior alta nos legumes, principalmente batata e cenoura. O que estou fazendo é substituir os alimentos em casa. Quando reparo esse aumento, eu não compro e faço outro tipo de comida”, conta.

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