Feriados farão comércio ter prejuízo de R$ 7,2 bilhões

Com mais 16 dias de lojas fechadas em 2015, setor no Rio reclama que próximo ano será de perdas. Empresários pensam em lançar promoções e ações de marketing

Por O Dia

Rio - As perspectivas do comércio no Rio para o próximo ano são pouco animadoras. O grande número de feriados em 2015 — nove nacionais, cinco estaduais e dois municipais, somando 16 no total — vai prejudicar principalmente os lojistas de rua, no Centro do Rio. Com isso, a expectativa do Clube de Diretores Lojistas (CDL) é que o setor tenha prejuízo de R$ 7,2 bilhões em receitas de vendas no ano que vem. Cada dia parado representa, segundo a entidade, perda média de cerca de R$ 385 milhões.

Apesar do movimento de consumidores%2C os lojistas da Saara reclamaram que as vendas do Natal deste ano foram os piores já registradasMárcio Mercante / Agência O Dia

Segundo o presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, do total de feriados, 15 são em dias úteis com possibilidade de enforcamento, o que favorece quem deseja viajar. “Com a cidade vazia, o comércio perde muito. As lojas de rua no Centro são as mais prejudicadas. Os shoppings e as lojas na Zona Sul ainda conseguem vender para o turista”, explica.

Os meses de abril (três feriados com possibilidade de prolongamentos) e fevereiro (dois feriados) serão os mais prejudicados, de acordo com a estimativa da entidade que representa o setor. No segundo semestre, espera-se que o resultado seja melhor para os lojistas.

A saída para aumentar as vendas vai ser investir em promoções e ações de marketing. “Sem público, o comércio não tem como fazer muita coisa. Em janeiro, os preços devem baixar, mas isso não resolve o problema. Temos impostos para pagar no início do ano, obrigações trabalhistas. O Natal foi bem abaixo do que esperávamos. Foi um ano difícil para todos”, avalia Aldo.

Para o presidente do CDL-Rio, o governo deveria encontrar formas de minimizar este impacto para os empresários. “A economia está estagnada. O ano de 2015 é de incertezas, e o comércio é que escoa a produção. Se não vende, a indústria não produz, não gera empregos. Os feriados ajudam a melhorar o trânsito na cidade, mas causam série de outros problemas. Isso também deve ser pensado”, desabafa. 

Presidente da Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega (Saara), Ênio Bittencourt afirma que este ano o movimento no Natal foi um dos piores. “Espero que em 2015 a situação melhore”, disse.

Trânsito no Rio afetou vendas

Os comerciantes reclamam desde o começo de 2014 de resultados fracos nas vendas. Na ocasião, a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) estimou perda de faturamento em função das mudanças no trânsito na região do Centro da cidade.

Os feriados nos meses da Copa do Mundo também foram considerados um problema. O CDL-Rio calculou um prejuízo médio de R$ 2 bilhões no período. Segundo Aldo Gonçalves, nem o turismo ajudou a aquecer as vendas.

“A grande maioria dos turistas que veio ver a Copa é de menor poder aquisitivo, que vai ao supermercado fazer compras para comer no quarto”, reclamou.

Vale lembrar que o Rio recebeu muitos turistas argentinos e outros vizinhos da América do Sul que vieram de trailer acompanhar os jogos do Mundial.

Em outubro a entidade registrou o menor crescimento para o período em oito anos. As vendas do comércio varejista no Rio subiram 2,1% em relação ao mesmo mês de 2013. “O fraco desempenho das vendas no Dia das Crianças foi determinante para o resultado negativo”, avalia Gonçalves.

A situação melhorou com o horário de verão, que aumentou o tempo das pessoas na rua. A expectativa é de alta de 4% no período.

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