Coluna do Aposentado: Planejamento alivia aperto na aposentadoria

Uma saída para driblar as dívidas é apostar em atividades que podem garantir uma renda extra

Por O Dia

Rio - A crise econômica tem se mostrado implacável com os que têm mais de 60 anos. Os idosos correspondem a quase 7 milhões de pessoas que acumulam dívidas, segundo o último levantamento da Serasa Experian. O número equivale a cerca de 1/3 da população dessa faixa etária (23,7 milhões, segundo o IBGE) e representa 12,4% dos 56,4 milhões de inadimplentes do país.

Especialista em saúde financeira e autor do livro ‘Está na hora de pensar a minha aposentadoria’, Roberto Zentgraf diz que o momento é fundamental para que os mais velhos revejam seus gastos e os mais novos comecem a se planejar para não passar sufoco no futuro.

Roberto ganha um extra com consultoria e corta despesasAlexandre Brum / Agência O Dia

Segundo Zentgraf, quem só conta com o dinheiro da aposentadoria tem que dar um jeito de afastar possíveis dívidas. Isso significa evitar empréstimos — mesmo os consignados, que são descontados em folha e oferecidos a juros mais baixos.

“É preciso cuidado com essas propostas. Parece um dinheiro fácil, mas o pagamento das parcelas e dos juros vai comprometer parte da renda do aposentado e ele vai se enterrar ainda mais. É comum ele se enrolar e pegar outro consignado para pagar o primeiro. A tendência é isso virar uma bolsa de neve, alerta o especialista.

Segundo a Serasa, esse tipo de empréstimo é um dos maiores responsáveis pela inadimplência dentro dessa faixa etária.

Uma saída para não recorrer a empréstimos, segundo Zentgraf, é apostar em atividades que possam ajudar a complementar a renda, como aulas particulares e artesanato.

“Quem ainda pode fazer consultorias, ou trabalhar com algo que lhe dá prazer pode pensar em usar isso para tirar um dinheiro extra”, sugere.

É o caso do aposentado Paulo Roberto Damasceno, 55, que trabalhava no setor de Recursos Humanos de uma empresa e teve que se aposentar antes do previsto para ajudar a mãe que sofre com uma doença. “Recebo o dinheiro da aposentadoria, mas sempre fico de olho em oportunidades para dar consultoria”, diz, lembrando que desde que se aposentou, há quase dois anos, sua renda caiu 70%.

Para compensar as perdas, o jeito é se replanejar. Paulo Roberto mantém um orçamento detalhado das despesas, compara preços em supermercados e até dá um jeito de economizar com o lazer. “Eu e minha mulher vamos muito ao teatro e ao cinema, mas agora procuramos dar preferência aos descontos oferecidos em sites de compras coletivas”, exemplifica.

10% DO SALÁRIO

Segundo Zentgraff, quem ainda é jovem deve ficar atento para não gastar toda sua renda de uma vez. Poupar cerca de 10% do salário e aplicar numa previdência privada é uma saída para garantir mais conforto na aposentadoria. Segundo ele, isso vale principalmente para quem já tem renda acima de R$ 4.663,75, que corresponde ao teto do benefício pago pelo INSS.

?BAIXO RISCO

O empresário Thiago Simões, de 32 anos, está habituado a poupar parte de sua renda desde os 22. Ele avalia o resultado como positivo. “Separo cerca de 10% da minha receita para investir em títulos de médio e longo prazo e de baixo risco. Também tenho ações antigas que, se vendesse hoje, ganharia mais de 30% do que investi lá atrás”, conta.

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