Gilberto Braga: Crise avança sem novas medidas

Se a tabela do Imposto de Renda fosse atualizada, a faixa de isenção seria de R$ 3.250,28

Por O Dia

Rio - Fim das férias e voltamos. E estamos com as atenções voltadas para a profunda crise em que o país está mergulhado. Pelos últimos acontecimentos, percebemos que não se trata de uma “marolinha” que passa rápido, mas de uma situação difícil e longa, um “ tsunami” econômico. O orçamento federal para 2016 prevê o aumento da carga tributária sobre o cidadão brasileiro, como a volta da CPMF e o não reajuste da tabela do Imposto de Renda. Trocaram o Ministro da Fazenda, mas o resto do time e a tática não mudaram.

Vale a pena comentar a declaração do ministro Nelson Barbosa de que o governo não tem como corrigir a tabela do IR porque precisa arrecadar mais. Estudo dos próprios funcionários da Receita Federal (por meio do Sindifisco Nacional), indica que a tabela está defasada em 72%. Se ela fosse atualizada com base na correção monetária desde 1996 até 2015, a faixa de isenção passaria de R$ 1.903,98 em vigor, para R$ 3.250,28.

Quem recebe salário mais baixo e deveria estar isento está sendo descontado pelo Imposto de Renda e vai pagar a maior parte da conta do ajuste fiscal. O governo cometeu um conjunto de erros nas decisões econômicas e de forma disfarçada e casuística, manda a conta para o povão pagar.

A CPMF também tem a mesma capacidade de injustiça fiscal, porque penaliza quem já está com salário apertado, em todas as suas transações bancárias que fizer. Essa história de dizer que a CPMF é baixa e ninguém sente é balela. Só quem não percebe tanto é a pessoa que ganha muito, porque pagar mais Imposto de Renda e CPMF não afeta a sua qualidade de vida e o seu padrão de consumo. Sai ano e entra ano e a crise continua, geral e cada vez mais séria. E olha nós aqui outra vez.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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