Ucrânia: anunciado acordo entre Yanukovich, oposição e União Europeia

De acordo com a nota oficial, assinatura do documento deve acontecer às 12h desta sexta-feira

Por O Dia

Kiev - O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, os líderes da oposição e representantes da União Europeia (UE) chegaram a um acordo para acabar com a crise política na Ucrânia, informou nesta sexta-feira a Presidência da ex-república soviética. "A assinatura do documento vai acontecer às 12h locais (7h de Brasília) na sede da administração presidencial", diz a nota oficial.

Anunciado acordo entre Yanukovich, oposição e União EuropeiaReuters

Ainda não são conhecidos os termos do acordo, que foi alcançado após "uma noite inteira de complexas negociações", relatou uma fonte da Presidência à agência local "Unian". "O presidente da Ucrânia fará concessões em prol do restabelecimento da paz", declarou pouco antes do anúncio do acordo a deputada e conselheira de Yanukovich, Anna Guerman.

As negociações para acabar com a onda de violência se intensificaram ontem à noite depois de um dia sangrento com dezenas de mortes. Segundo a oposição, apenas ontem mais de 60 manifestantes morreram por ferimentos de arma de fogo, depois que o Ministério do Interior ordenou a distribuição de armas para a polícia.
Os últimos números oficiais do Ministério da Saúde informam que desde a última terça-feira, quando começou o surto de violência, 77 pessoas morreram em Kiev, mas os opositores elevam o mesmo para mais de 100.

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Na noite desta quinta-feira,o Parlamento proibiu a operação antiterrorista anunciada na quarta-feira pelos serviços secretos e dirigida contra manifestantes radicais que tomaram dezenas de edifícios oficiais nos últimos dias.A maioria necessária para aprovar a resolução foi conseguida com os votos de 12 deputados que abandonaram o Partido das Regiões, a legenda governista do presidente Yanukovich, que não participou da votação.

Em outra resolução, a Rada "condenou categoricamente" a onda de violência na Ucrânia, sobretudo no centro de Kiev, e exigiu que as forças militares e policiais "ponham um fim, de forma imediata, ao uso da força contra os cidadãos da Ucrânia".

O PAÍS

Fica no Leste Europeu e foi uma das repúblicas fundadoras da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Ganhou sua independência em 1991, após o colapso da União Soviética, tornando-se um estado soberano. Tem cerca de 46 milhões de habitantes e área um pouco maior que o estado brasileiro de Minas Gerais.

O INÍCIO DA CRISE
Em novembro de 2013, o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, ia assinar acordo de livre comércio e associação política com a União Europeia (UE). O governo russo, porém, fez pressão, e Yanukovich desistiu das negociações com a UE, estreitando mais os elos com a Rússia. Os russos teriam ameaçado cortar o fornecimento de gás e tomar medidas protecionistas contra o acesso dos produtos ucranianos ao seu mercado.

A DIVISÃO INTERNA
A língua oficial do país é o ucraniano, falado nas regiões oeste e central (onde fica a capital, Kiev). Esta fração da população quer que o governo se una à União Europeia. Já nas partes centro-leste, leste e sul, fala-se russo, e os habitantes preferem a influência da Rússia.

OS PROTESTOS
No dia 24 de novembro, milhares foram às ruas para exigir que o presidente voltasse a negociar com a União Europeia. Começaram os conflitos com a polícia. O povo ocupou a Praça da Independência, a principal de Kiev. Em 22 de janeiro, morreram cinco manifestantes. De lá para cá, a violência só aumentou, dos dois lados. Manifestantes se armaram com coquetéis molotov e invadiram as sedes de governos regionais. A polícia tem usado cada vez mais a força.

PROJETO COM BRASIL
A Ucrânia tem acordo de cooperação com o Brasil para o futuro lançamento do foguete Cyclone-4 ao espaço. O Brasil oferece localização geográfica privilegiada: a base de lançamento de Alcântara (Maranhão). A Ucrânia entra com o foguete, sem transferir tecnologia. O projeto existe há dez anos.

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