Biden chega à Ucrânia, e Rússia exige cumprimento de acordo

Separatistas pró-russos continuam nos prédios públicos e nacionalistas não depõem armas

Por O Dia

Kiev (Ucrânia) - Em meio à crescente tensão entre separatistas pró-Rússia e ucranianos, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, desembarcou ontem em Kiev, capital do país, para demonstrar o apoio americano à Ucrânia. Biden chegou logo após o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, conversar com o chanceler russo, Serguei Lavrov, e pedir que fossem tomadas medidas para implantar o acordo assinado entre as partes, em Genebra, semana passada.

O acordo, chancelado pelos Estados Unidos e a União Europeia, prevê o desarmamento das milícias e a saída dos prédios públicos dos rebeldes separatistas pró-Rússia. A troca de tiros e a morte de três pessoas domingo, num posto de controle dominado pelos rebeldes em Slaviansk, fez Moscou acusar os nacionalistas ucranianos pelo ataque. O chanceler russo disse que a Ucrânia não respeita o acordo.

Manifestantes pró-Rússia em praça de Karkov%2C na Ucrânia%2C criticam o intervencionismo americano na região%2C em mais um episódio da crise local%3A acordos desrespeitadosEfe

“Eles não podem, ou talvez não queiram controlar os extremistas, que seguem mandando”, criticou. “O acordo não apenas é desrespeitado, mas grosseiramente violado pelas medidas adotadas pelos que assumiram o poder em Kiev.”

A nova onda da crise ucraniana está focada na região de Slaviansk, onde Viacheslav Ponomariov autoproclamou-se prefeito da cidade e se entrincheirou nos prédios públicos — sua desocupação está prevista no acordo assinado em Genebra. Ponomariov tomou o poder após a prefeita eleita, Nelia Shtepa, abandonar a região temendo ser vítima das tensões entre forças separatistas e pró-Ucrânia, lideradas pelos nacionalistas paramilitares do Pravy Sektor.

Os paramilitares são acusados pelos russos de serem neonazistas. O leste ucraniano tem pelo menos 12 cidades que estão sob controle de forças separatistas pró-Rússia. Nesta segunda-feira, o presidente Vladimir Putin aprovou alterações na lei do país que facilita a concessão da cidadania russa a cidadãos que vivem nas antigas repúblicas socialistas soviéticas e falam a língua fluentemente. Putin também assinou um decreto reabilitando o povo tártaro que vive na Crimeia. Os tártaros foram contra a separação da região, hoje anexada à Rússia.

Biden é recebido pelo ministro ucraniano de Assuntos ExterioresEfe

O passo a passo da crise ucraniana

Em novembro de 2013, o então presidente Viktor Yanukovich desiste de assinar o acordo que associaria o país à União Europeia (UE), alinhando-se mais declaradamente à Rússia, seu principal aliado.

A decisão frustrou a oposição e grande parcela da sociedade civil, o que levou ao início de uma série de manifestações violentas em repúdio à estratégia do governo.

O revide das forças de segurança à escalada da violência também fez crescer a insatisfação com o governo. Calcula-se que os conflitos, travados principalmente na capital Kiev, tenham deixado saldo de 75 mortos.

Em 22 de fevereiro, Yanukovich abandona o cargo e antecipa as eleições para 25 de maio.

Quem assume é um governo com a tendência oposta, pró-UE e anti-Rússia, o que acirrou as tensões separatistas na Crimeia, de maioria russa. A tensão culminou no referendo que autorizou a anexação à Rússia.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência