Rede social reúne doentes crônicos que dividem dúvidas e angústias

Médicos explicam os prós e os contras da relação virtual

Por O Dia

Rio - Uma rede social brasileira para pacientes com doenças crônicas já conseguiu reunir mais de 5,4 mil usuários em apenas um ano. Na ferramenta, quem enfrenta as angústias e dúvidas causadas por deficiências sem cura — que atingem 31% da população do Brasil — troca experiências e compartilha um verdadeiro diário de como se sente todos os dias.

O cadastro no site EuPaciente (www.eupaciente.com.br) é gratuito, e pode ser feito por cuidadores, interessados em se informar ou pelo próprio paciente, que ‘insere’ no sistema sua doença e principais sintomas. A partir daí, a rede fornece ao usuário a lista de pessoas que também têm aquele problema.

Parecido com o Orkut e o Facebook, o EuPaciente tem linhas do tempo e fóruns para discussão. Mas o usuário ‘apoia’, em vez de ‘curtir’, e não têm ‘amigos’, mas sim ‘favoritos’.

De acordo com um dos fundadores, Carlos Paludo, além de trocar informações sobre médicos, remédios e formas de tratamento, o doente crônico constrói um relatório diário sobre seu estado de saúde, medido em cinco graus. Com o passar do tempo, um gráfico é emitido pelo sistema, baseado nesses relatórios, e pode ser enviado ao médico. “O doente também anexa seus exames e marca o dia de suas consultas em uma agenda. Tudo no ambiente virtual”, explica Paludo.

Em sua página%2C Carlos Paludo%2C um dos fundadores do EuPaciente%2C descreve sintomas e como se senteReprodução Internet

Na opinião de Beatriz Vicent, doutora em Saúde Pública e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a ideia é bem-vinda e os relatórios podem contribuir. “Quando falamos de pacientes crônicos, é preciso que o médico conheça tudo o que se passa com ele. O que funciona e o que não funciona, em termos de tratamento,” detalha a professora.

Diagnosticada há três anos com hepatite autoimune — distúrbio no sistema imunológico que destrói células do fígado e causa inflamação crônica —, a administradora Nayara Montal, 25 anos, descobriu, através do EuPaciente, que não estava sozinha na batalha contra a doença. “Fiz o cadastro e vi que não sou um ‘bicho’ de outro mundo por ter uma doença rara,” desabafa. Ela conta que encontrou muitas pessoas que passam pelo problema e que se ajudam através da rede.

Cuidado com ‘baixo astral’ é necessário

Em relação às conversas com pessoas que enfrentam desafios parecidos, a médica Beatriz Vicent acredita que melhoram, sim, a qualidade de vida, mas ter cautela é essencial.

Segundo ela, é bom dialogar sobre as dificuldades, mas os usuários da rede devem entender que doenças se manifestam de formas diferente em cada pessoa. Isso porque um tratamento que tem bons resultados para um, pode fazer mal a outro.

Outra preocupação, alerta a especialista, são as pessoas que tendem a falar só dos problemas e não mencionam o lado bom da vida, apesar de serem portadoras de alguma doença crônica. Isso pode deixar as outras pessoas ‘para baixo’, o que não ajuda no tratamento.

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