Ucrânia tem calma após cessar-fogo, mas moradores continuam céticos

Aprovada por ucranianos, separatistas, russos e europeus, trégua é parte de roteiro para acordo de paz entre os países

Por O Dia

Ucrãnia - O cessar-fogo entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia no Leste da Ucrânia parecia estar sendo mantido na noite desta sexta-feira, apesar do princípio de um bombardeio no bastião rebelde de Donetsk. Entretanto, muitos moradores e combatentes se mostraram céticos de que a medida será duradoura após seis meses de conflito. Os dois lados continuam discordando sobre o futuro da região.

Leste da Ucrânia 'corre risco de crise humanitária'.Reuters


A trégua foi aprovada por enviados da Ucrânia, da liderança separatista, da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em uma reunião em Minsk, capital de Belarus, e é parte de um roteiro para um acordo de paz que ainda incluiria uma troca de prisioneiros e a criação de um corredor humanitário para refugiados e assistência humanitária.

Minutos depois de o cessar-fogo entrar em vigor, às 12h (horário de Brasília), três explosões foram ouvidas ao norte de Donetsk, seguidas de disparos esparsos de morteiros e de artilharia, mas de curta duração.

Os combates prosseguiram durante a maior parte do dia em duas regiões conflagradas no leste ucraniano – perto do porto estratégico de Mariupol, no Mar de Azov, e mais ao norte de Donetsk, sobretudo no entorno do aeroporto da cidade, que permanece em mãos do governo.

Kiev afirma que suas forças vêm tentando repelir uma grande ofensiva dos rebeldes para tomar Mariupol, cujo porto está localizado entre a Rússia e a península da Crimeia, anexada pelos russos em março, e é crucial para as exportações de aço da Ucrânia. Comandantes ucranianos negaram as afirmações rebeldes de que forças separatistas adentraram Mariupol nesta sexta-feira.

Mariupol se tornou uma grande preocupação para a Ucrânia depois que os rebeldes irromperam de seus enclaves principais mais ao norte no final de agosto – apoiados, sustenta Kiev, por forças oficiais russas. A Rússia nega estar enviando soldados e armas para a Ucrânia, apesar do que a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirma serem provas contundentes do contrário.

Um porta-voz militar ucraniano declarou em um informe à imprensa em Kiev que cerca de dois mil militares russos foram mortos no conflito até agora, número impossível de confirmar de maneira independente. Recentemente a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou o saldo total de mortos em mais de 2.600 até o momento.

Sem otimismo

As pessoas das áreas mais afetadas no leste da Ucrânia ficaram aliviadas com o cessar-fogo, mas poucos acreditam que ele dure.

“Saímos para uma caminhada depois de três dias escondidos, isso é um grande alívio. Mas não estou otimista, já vimos vários cessar-fogo violados”, disse Lesya, moradora de 30 anos de Mariupol e mãe de um recém-nascido.

Outros afirmaram que, se mantida, a trégua permitirá aos separatistas consolidarem seus avanços, criando condições semelhantes às dos “conflitos congelados” em outras partes da ex-União Soviética, que ajudaram a Rússia a manter sua influência.

Em Donetsk, onde os moradores tendem a culpar o lado ucraniano pelo conflito, o ambiente também era de desânimo.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência